Acaso é mais belo o dia
Ou o jasmim e seu perfume?
Sentar-se beira lago e se formigar de grama
Ou o amor a se declarar?
Cabe o essencial em trenas
Ou pode etiquetas definir?
Talvez a leveza da vida
Resuma-se em abandonar
Medidas e nomes
Deixar o pato ser pato
O homem ser homem
(ou o que bem quiserem)
Coisas e seres, únicos poemas
A se comporem pelo percurso
Não se pode medir a alma
Guardada em suas frases
Ou ler suas estrofes
E julgar apreendê-la
Não se pode desejar ao poema ser prosa
Não se pode desejar ao poema ser outro
Mas se pode senti-lo ao declamar
Admirar- lhe o som e a silhueta
E, depois, soltá-lo
Livre de nossa impressão
Não se precisa gostar de jaca
Basta não desejá-la pera.
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