Droga responde por 12 mil crimes num ano em Franca


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Interior de imóvel ocupado por viciados e traficantes na periferia de Franca
Interior de imóvel ocupado por viciados e traficantes na periferia de Franca

A crescente criminalidade em Franca tem relação direta com as drogas. Segundo Daniel Paulo Radaelli (PMDB), delegado assistente da Seccional e vereador, os entorpecentes são os principais inimigos da polícia. Em entrevista exclusiva ao Comércio, a autoridade policial confirmou que 93% de todos os delitos praticados em 2012 na cidade -12.088 de 12.998 ocorrências - estão ligados ao consumo ou à venda de substâncias entorpecentes. “Ou a pessoa é viciada, ou está no tráfico”, afirma.

Como base para o cálculo, Radaelli lançou mão do confronto entre as estatísticas de criminalidade registradas em 2012 e as investigações feitas pela Polícia Civil no mesmo período. O uso de substâncias alucinógenas lícitas, como o álcool, também estão incluídas, explicou ele, em seu levantamento. “Se pegar alguns crimes pontualmente, os homicídios, por exemplo, parte também foi originado pela relação com o tráfico. Os (crimes) da Vila Raycos foram assim”, disse o delegado ao se referir a dois assassinatos cometidos em novembro passado. “Claro que a maioria dos casos de homicídio (19 em 2012) continua sendo provocada por motivos passionais, briga de boteco e outros. Mas a relação com drogas é crescente”, disse Radaelli ao analisar essas ocorrências. Em relação aos crimes contra o patrimônio, como roubos e furtos (leia mais no quadro nesta página), a motivação “roubar para comprar drogas” é quase uma unanimidade.

Por isso, o vereador adiantou que pretende ampliar as ferramentas de assistência aos dependentes químicos da cidade. Para isso, irá convocar uma audiência pública envolvendo todas as secretarias municipais a fim de elaborar projetos de combate às drogas. A verba para o financiamento de tais programas deverá sair dos cofres estaduais e federais. Antes é preciso dar autonomia às organizações já existentes e que dão apoio aos dependentes. “Estamos esperando sair o estatuto do Comad (Conselho Municipal Anti-Drogas) para termos personalidade jurídica e assim solicitar verbas ao Estado. Espero que até março tudo já esteja pronto”, explicou.

Atualmente, a cidade conta apenas com o Hospital Psiquiátrico Allan Kardec e uma ala de internação provisória do pronto-socorro para dar tratamento público à dependentes químicos.

CRIMEs DE NOIAS
Enquanto isso, moradores de várias regiões de Franca sofrem com crimes praticados por nóias. A Vila São Sebastião é uma delas. No local, uma casa abandonada transformou-se em um verdadeiro QG de bandidos do tráfico. A partir do imóvel, eles saem às ruas para cometer pequenos delitos e sutentar o próprio vício.

“Eles invadem as casas da rua e levam roupas, dinheiro e o que mais encontrarem. Tudo para trocar por crack”, disse uma dona de casa do bairro que terá o nome preservado por questão de segurança.

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