A sociedade brasileira é realmente sui generis, uma característica que obviamente também pode ser encontrada em segmentos da comunidade de Franca. De forma geral, reclama-se muito do governo e das autoridades. Cobram-se investimentos de todos os lados e muita eficiência nos serviços públicos, o que além de justo é também muito natural, já que o poder público existe justamente para servir a sociedade e equilibrar os vários interesses que nela se digladiam.
No entanto, essa mesma sociedade que, com razão e direito, está sempre cobrando o que é justo, no fundo parece esquecer-se de que a verdadeira democracia não se resume apenas aos direitos do cidadão e nos deveres do Estado, mas exatamente no equilíbrio entre ambos, já que tanto a sociedade quanto o Estado devem arcar com seus respectivos direitos como deveres.
Dentro desse contexto, é incrível que ainda tenhamos que assistir ao caos que se forma nas portas das escolas francanas durante todo o ano letivo, principalmente no período de volta às aulas, quando as famílias precisam novamente se acostumar aos hábitos escolares pós-férias.
Como acontece todos os anos, as filas duplas se repetem pelas ruas da cidade, atrapalhando o trânsito e as pessoas que não têm filhos nessas escolas e não têm nada a ver com os problemas daqueles que ou estão atrasados ou simplesmente têm preguiça de estacionar longe das entradas de alunos.
Mesmo sabendo que ao parar em fila dupla estão atrapalhando o trânsito, para além de por em risco a vida de seus próprios filhos, muitas pessoas acabam negligenciando o fato, como se nada de ruim nunca pudesse acontecer com eles e seus filhos e como se essas ruas fossem algo privado, de seu interesse, e não público, a serviço e à disposição de todos. Sem contar o péssimo exemplo que dá aos filhos sobre como desrespeitar o espaço e o direito das outras pessoas.
Se fôssemos cobrar a responsabilidade de cada um desses motoristas que param em fila dupla, eles malandramente se defenderiam dizendo que a parada é muito rápida e não atrapalha ninguém. Se esquecem de que os ‘minutinhos’ se multiplicam em vários, uma vez que vários pensam da mesma maneira, infelizmente.
Nesse sentido, fica claro que ainda falta a muitos francanos uma real consciência do que vem a ser a democracia, acompanhada de seus direitos e deveres. De qualquer forma, porém, enquanto essa consciência não chegar, não custa nada o poder público punir com mais severidade. Como não conseguirá fiscalizar todas as escolas ao mesmo tempo, talvez com a ameaça de multas pesadas seja possível acelerar um pouco mais esse lento processo de conscientização.
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