Já faz muito tempo que os automóveis se transformaram em algo muito mais significativo do que um simples meio de transporte. Apesar de continuarem cumprindo essa importante função em uma sociedade que se movimenta de forma cada vez mais veloz e intensa, os automóveis hoje em dia estão muito mais ligados ao estilo de vida de seus proprietários. De forma geral, significam status, poder ou personalidade, entre várias outras características.
Em função disso, as montadoras não param de inventar e produzir novos modelos, inovando no design e na comodidade e carregando na potência dos motores. Como resposta, o mercado não para de crescer. Ano após ano nós assistimos aos recordes de venda, sobretudo agora que as classes de mais baixa renda conseguiram ascender a essa categoria de consumo.
No entanto, todo esse crescimento tem seu preço. No caso específico dos automóveis, um dos graves problemas tem sido o que fazer com os veículos apreendidos por circularem pelas ruas de forma irregular, por estarem envolvidos em acidentes com vítimas ou serem encontrados em desmanches, o que vem acontecendo cada vez mais em Franca ou em qualquer outra cidade do país.
De forma geral, criou-se para isso o chamado Pátio Modelo, que deveria abrigar de forma organizada a todos esses veículos.E em Franca não foi diferente. Acontece, porém, que ele já está superlotado e pedindo socorro. Com veículos amontoados uns sobre os outros, atualmente ele mais se parece com um cemitério do que com um pátio, totalmente distante do modelo que deveria ser.
Segundo a diretoria do Pátio, o problema não está especificamente na quantidade de carros, pois para abrir mais espaço a Secretaria de Segurança e Cidadania realiza em média quatro leilões por ano, vendendo os carros principalmente para funileiros, mecânicos e lojas de autopeças que sempre conseguem aproveitar alguns itens desses veículos, por mais deteriorados que possam estar.
O problema maior, por incrível que pareça, está na morosidade da Justiça, pois carros envolvidos em crimes e processos judiciais não podem ir à leilão. Para se ter uma idéia dessa morosidade, 40% dos veículos ali estacionados estão dentro dessas condições e há carros que já estão completando duas décadas dentro do Pátio.
Se considerarmos que muitos desses processos já foram arquivados há tempos, fica evidente que o Judiciário demora um tempo enorme para tomar decisões que de maneira alguma precisariam de tanto tempo, sobretudo se considerarmos a velocidade da internet e todas as tecnologias de comunicação em tempo real.
No fundo, essa situação explicita mais uma vez a persistente e incompreensível lentidão de nosso Judiciário e a falta de ação das esferas de poder e de comunicação entre todos os seus órgãos.
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