O Carnaval é com certeza a maior festa popular do país, mas é também uma indústria cada vez mais lucrativa
O Carnaval não nasceu no Brasil. Muito antes de nascermos enquanto nação boa parte do mundo já se divertia com esses festejos. Primeiramente foram os gregos, que séculos antes de Cristo já realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e por sua produção.
Posteriormente, o Carnaval passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica, um período que antecedia a quaresma e era marcado por uma espécie de ‘adeus à carne’, do latim ‘carne vale’, que acabou dando origem ao termo Carnaval. Por essa época, cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes.
Modernamente, já em pleno século XIX, o Carnaval foi assimilando algumas características que de certa forma perduraram até hoje. Sobretudo a partir de Paris, a idéia de desfiles e fantasias começou a vingar em várias cidades do mundo, chegando finalmente ao Brasil, com mais intensidade no Rio de Janeiro.
Mas se não fomos os criadores do Carnaval, com certeza nesses últimos tempos nos transformamos nos principais protagonistas mundiais desse festejo secular. Além de entronizá-lo em nossa cultura, tornando-o quase visceral em boa parte de nossa população, fizemos dele uma grande indústria, um evento que movimenta toda a economia e traz muitas riquezas para o país.
Independentemente do tamanho e da importância, em quase todas as cidades brasileiras alguma coisa acontece. De simples bailes a grandes desfiles, há espaço para Carnaval de rua, praia, repúblicas de estudantes, praças ou qualquer outro espaço em que se possa pular e gritar à vontade, colocando para fora todas as tristezas acumuladas no ano.
Em Franca, obviamente, essa realidade se repete. Afora os tradicionais bailes de clube, onde os mais nostálgicos ainda podem curtir as tradicionais marchinhas, nos últimos anos a cidade também aderiu à idéia do Carnaval de rua, investindo em estrutura e nas poucas escolas que conseguem sobreviver na cidade.
Mas talvez esteja aí o problema do Carnaval francano. Investir em Carnaval de rua é investir em algo que tem como modelo na mente do brasileiro o padrão Rio de Janeiro de Carnaval, o que faz do resultado algo sempre aquém das expectativas. Talvez fosse mais estratégico para a cidade desenvolver um Carnaval de rua ou de blocos, com festas em repúblicas de estudantes e em outros espaços que atraíssem a juventude local e regional e possibilitassem a participação mais ativa de toda a população, como acontece em algumas pequenas cidades não apenas da região, mas de todo o país.
É claro que poderíamos aqui lembrar a força do Carnaval de Batatais, todo ele baseado no desfile de escolas de samba, na mesma linha do Rio de Janeiro. Mas aí é uma questão de fazer bem feito, algo que Franca, muito maior que a vizinha Batatais, ainda não conseguiu fazer.
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