“O nosso sentimento é pesaroso. Lamentamos muito, vamos para salvar vidas”. A frase é do capitão do 2º Subgrupamento do Corpo de Bombeiros de Franca, Marcelino Patrício dos Santos, dita três dias após o acidente envolvendo uma viatura da corporação e que acabou na morte da auxiliar de enfermagem Helena Gomes da Silva, 49. A mulher foi atropelada pelo caminhão que seguiu para lhe prestar socorro.
A vítima havia batido o fusca que dirigia em um caminhão e acabou arremessada na pista, onde foi atropelada pela viatura. O acidente ocorreu na terça-feira, na rodovia Tancredo Neves, entre Franca e Claraval-MG.
Segundo o capitão, o episódio entristeceu a todos os bombeiros da cidade e será investigado até que sejam descobertas suas reais causas. A partir de quarta-feira uma equipe do Corpo de Bombeiros de São Paulo é aguardada para vistoriar a viatura usada na ocorrência, que desde terça está parada. O veículo tem 20 anos de uso. “Nossa gratidão é salvar vidas. Estamos muito tristes e queremos saber o que aconteceu para que não se repita.”
Marcelino evitou dar sua opinião sobre o que possivelmente teria motivado o acidente: falha técnica ou humana. “Foi aberto um inquérito policial militar para saber o que realmente ocorreu.”
Ele disse que no dia da ocorrência os bombeiros receberam o chamado por volta das 8 horas, informando de um acidente envolvendo um carro e um caminhão com vítimas presas nas ferragens. Após a comunicação, foi acionado o que eles chamam de “trem de socorro” para o atendimento. “Enviamos a viatura de autobomba para fazer a segurança, a viatura autobomba de salvamento e a unidade de resgate.”
A autobomba foi a primeira a chegar. “O local não estava sinalizado e segundo o bombeiro, motorista da viatura, houve problema com o freio. Ele não tinha para onde jogar [o veículo].”
O bombeiro M.A.M, 31, que entrou em choque ao perceber o atropelamento, está afastado para tratamento médico.
Segundo o capitão Marcelino, 64% do efetivo da corporação da cidade (formada por 65 bombeiros) tem curso para motorista em situação de emergência. A definição sobre qual bombeiro assume a direção obedece uma escala mensal. “O curso é específico para situação de emergência e tem duração de 15 dias. Nele é passado que os motorista devem obedecer todos as sinalizações de trânsito, mas dentro das possibilidades. Se for necessário dirigir a 100 km/h e ele [o bombeiro] estiver em segurança, pode andar.”
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