Vocações que salvam


| Tempo de leitura: 4 min

Neste domingo do evangelho da pesca milagrosa e do chamado dos discípulos, celebramos nossa vocação ao seguimento de Jesus como discípulos e discípulas

O profeta Isaías é chamado,os apóstolos são chamados, o apóstolo Paulo também é chamado. Diante do toque do Senhor, o profeta responde: “Aqui estou! Envia-me.” Os discípulos deixam tudo e seguem a Jesus. O apóstolo das gentes, o menor dos apóstolos, pregou com coragem o Evangelho a todos. Vocação é dom de Deus. Ele chama. Que o Espírito nos ilumine na escuta do Senhor. Não obstante nossos medos e limites, que o Senhor nos faça discípulos e discípulas seus. A Palavra de Deus é muito significativa a respeito das vocações. Meditemos um pouco.

1ª LEITURA — ISAÍAS 6
Há experiências na nossa vida que não podem ser reveladas com palavras. É difícil descrever as emoções, os sentimentos, as experiências espirituais. Isaías, certo dia, talvez enquanto estava rezando no templo de Jerusalém, percebe que o Senhor o chama para ser seu profeta. Fica perturbado, entende que é uma escolha do Senhor do universo, do Onipotente, daquele que tem o seu trono no céu e é assistido pelos serafins que cantam sem cessar: “ Santo, Santo, Santo!” Tem plena consciência da própria fraqueza e da própria indignidade e tem medo da missão que lhe é confiada.

Deus, porém, não se apavora diante do pecado; ele tem o poder de purificar o homem. Isaías vê, então, um querubim trazendo nas mãos uma brasa viva que pegara do fogo santo, aplica-lhe nos lábios e apaga as suas faltas. Agora não pode mais resistir ao chamado do Senhor e responde: “Eis-me aqui, enviai-me”.

Enquanto vivemos no meio dos outros homens fracos e frágeis como nós não nos damos conta do nosso pecado; aliás, comparando-nos com os que estão ao nosso lado, podemos até pensar que somos justos, honestos irrepreensíveis. Mas, ao entrarmos em contato com Deus, as coisas mudam: constatamos de forma dramática a nossa pobreza, a nossa indignidade, a nossa miséria. Isaías, embora sentido-se indigno não hesita. Diz imediatamente: “Eis-me aqui, enviai-me”. As nossas impurezas e os nossos pecados não justificam a nossa recusa para assumir o ministério que a comunidade nos confia. A própria palavra de Deus que anunciamos nos irá purificando aos poucos.

2ª LEITURA — 1ª CARTA COR 15
A segunda leitura, da primeira carta aos Coríntios, apresenta a síntese da profissão de fé das comunidades cristãs primitivas: “Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou”. O Ressuscitado manifestou sua presença viva a Cefas, aos doze, a mais de quinhentos irmãos reunidos, a Tiago, a todos os apóstolos, a Paulo que viu o Senhor glorioso no caminho de Damasco.

Pela obra da graça de Deus, as testemunhas do Ressuscitado proclamam a mesma mensagem e os fiéis professam a mesma fé. A ressurreição, a vida nova em Cristo, torna-se objeto fundamental da pregação e da fé cristã. A graça do Ressuscitado fortalece Paulo, levando-o a dedicar a vida pela causa do Evangelho, a trabalhar mais do que os outros apóstolos.

EVANGELHO —LUCAS 5
O evangelho de Lucas apresenta o relato do chamado dos primeiros discípulos, em meio a uma pesca milagrosa. Jesus está à margem do lago, no meio da multidão que quer ouvir a palavra de Deus. Ele vê duas barcas paradas e os pescadores lavando suas redes, desanimados, pois haviam trabalhado a noite inteira sem êxito. Sobe, então, em uma barca que era a de Simão e começa a instruir o povo.

Depois de anunciar a mensagem da salvação, Jesus ordena Simão a “avançar para as águas mais profundas e lançar as redes para a pesca”. Todos os que estavam na barca de Pedro foram chamados a lançar as redes, a contribuir para salvar a humanidade. Simão, como bom pescador, sabia que o tempo mais apropriado para a pesca era a noite. Mas ele ignora sua experiência, confia na palavra do Mestre e lança as redes.

A quantidade enorme de peixes, que as redes quase se rompem, sublinha que o êxito missionário é obra do Senhor que age através dos discípulos e das discípulas. O resultado maravilhoso da pesca leva ao relacionamento de Jesus como Senhor, título atribuído ao Ressuscitado. A profissão de fé é essencial para reconhecer os sinais da salvação, os milagres de Deus. O discípulo reconhece sua fragilidade diante de Jesus e abre-se à revelação da graça divina. “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”.

Os discípulos são chamados por Jesus para seguir seu estilo de vida. A resposta deles é radical: “Deixaram tudo e seguiram a Jesus”. Abandonam tudo por causa de Jesus e do seu Reino. Tornam-se companheiros de caminhada com Jesus, compartilhando sua mensagem e seu destino. Passam a ser pescadores de homens e de mulheres, anunciadores da palavra de Deus que proporciona vida nova. O despojamento caracteriza o caminho do discipulado, pois leva a servir na gratuidade.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários