Compenetrado e aparentemente alheio à movimentação dos clientes do Franca Shopping, Pedro Schirato pinta um quadro. O artista francano de 74 anos possui um ateliê no centro de compras. No próprio local, que divide com o mosaicista Ronaldo Finotti, ele cria seus quadros, usando a memória e baseado em fotografias, paisagens, natureza e composições que têm como temas mais comuns o mar e a Franca antiga.
Em 62 anos de carreira, Pedro estima que a sua produção gire em torno de três mil telas. Autodidata, começou a pintar aos 12 anos influenciado pelo pai, o também pintor Luiz Schirato, morto em 1989.
Com o tempo, o artista foi aprimorando a sua técnica e, hoje, o pintor se considera um impressionista, como Renoir e Monet, preferindo não inserir traços muito definidos e detalhados nas obras.
Pedro Schirato é um pintor reconhecido. Coleciona cerca de 15 prêmios em cidades como Rio Claro, Araraquara e Jaboticabal. O que mais tem orgulho de ter alcançado foi uma menção honrosa no Salão Paulista de Belas Artes no início da década de 70, com o quadro “Casario”. “Conseguir a menção não é fácil, tem participantes do Brasil inteiro. Fiquei muito lisonjeado.” Ele também possui telas expostas na Espanha e na Alemanha, adquiridas por turistas destes países em visitas que fizeram ao Brasil.
Em meio à população francana, no entanto, ele afirma que seu trabalho só começou a se popularizar nos últimos sete anos. “Meu pai dizia que só o tempo é que iria dizer [se o reconhecimento viria ou não], e agora, com o nível que atingi na pintura e uma maior divulgação na mídia, estou colhendo os frutos. Vendo, em média, oito quadros por mês, isso é ótimo.”
Há 30 anos, abriu seu ateliê no Centro, mas se mudou para o Franca Shopping faz sete meses. Para ele, a mudança foi positiva, já que, de lá para cá, já vendeu cerca de 60 telas no novo local devido à grande circulação de consumidores. “No Centro, demoraria dez anos para vender essa quantidade, ou até mais tempo.”
Caracterizando-se como um “saudosista”, o artista se inspira na paisagem de Franca dos anos 30 e 40 para criar muitas das suas obras. “Nasci, me criei e sempre morei em Franca. A cidade é a coqueluche da minha obra.” O tema também tem ressoado juntamente com a população que, nos últimos quatro meses, adquiriu cerca de 40 telas sobre o município.
PROLÍFICO
Desde que começou, Pedro Schirato não parou de pintar nunca mais. De cada dez pinturas que faz, duas são encomendadas.
E para ele, pintar é um ato descomplicado: completar uma tela não demora mais do que dois ou três dias. “Eu me divirto pintando qualquer tipo de quadro, não importa o tema, me sinto realizado quando termino um.”
Aos 74 anos, Schirato não pensa em parar. Ele recebe uma aposentadoria no valor de um salário mínimo e complementa a renda com a venda dos quadros. “Se você parar, está pedindo para morrer. Enquanto estiver em pé, com saúde, estarei trabalhando.”
CRÍTICAS
No entanto, nem tudo é um mar de rosas para Pedro. Ele se queixa da falta de incentivo às artes no município. “Eu me ofereci para pintar telas sobre Franca para a Prefeitura, mas não se interessaram. Em Piracicaba, o prêmio de primeiro lugar em concursos de pintura é de R$ 30 mil. Em Franca, há cerca de dois anos eles pararam de dar prêmios de R$ 200 e R$ 300 no Salão de Abril, e passaram a dar só medalhas.”
Outro problema apontado por Pedro Schirato é a falta de interesse em cultura por parte da população. “Nós estamos engatinhando perto da Europa. Lá, qualquer um gosta [de pintura], frequenta museus... Aqui, [os que gostam] são aqueles que têm uma formação melhor.” Para aumentar o interesse cultural da população, o ideal, na opinião de Pedro, é montar mais exposições na cidade, a Prefeitura incentivar mais os artistas e os meios de comunicação intensificarem a divulgação das manifestações culturais que acontecerem no município e região.
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