O Carnaval mudou bastante. Agora, a folia ficou apenas nas ruas de algumas cidades, nos trios elétricos em Salvador e Recife ou nos desfiles transmitidos pela televisão. Os salões foram perdendo força e os animados bailes carnavalescos ficaram na saudade. Franca tinha vários desses salões, como AEC, Luiz Gama, Internacional, Clube dos Bagres. Todos lotados. Curti bastante os carnavais da AEC, onde a Orquestra Laércio de Franca animava as quatro noitadas e três matinês, isso por uns quinze anos. Tudo era só alegria, sem excessos ou confusões, num ambiente família, onde uma cuba-libre ou uisquinho esquentava o motor da moçada. A orquestra tocava sucessos de sempre, como Jardineira, Máscara Negra, Pó de Mico, e todo mundo acompanhava, porque sabia a letra, e ia rodando pelo salão. Quem não levava muito jeito para sambar ou mexer o corpo, ficava ali olhando, só marcando passo no lugar e os dois indicadores levantados, observando o cordão que rodava o salão inteiro. A cada volta, quando as paqueras se encontravam, atiravam no outro um pouco de confete, faziam ali um gracejo e, se houvesse a correspondência, até pegava na mão. Quem viveu essas coisas se lembra com saudade e quem não viveu não imagina como era gostoso e animado aquele antigo Carnaval de salão. Só restou a saudade.
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