Sempre que chove a comerciante Zélia Moraes Silva fica com medo de que uma das paredes da casa não aguente e caia. Moradora da rua Otávio Franchini, no Residencial Jovita de Melo, ela sofre com a dúvida há mais de três anos. O que antes era apenas um trincado na parede de um dos quartos da residência se transformou em uma grande rachadura que cresce rapidamente. Após uma vistoria de engenheiros da Prefeitura, o quarto precisou ser interditado e é usado apenas para guardar alguns pertences da família. Zélia não é a única a conviver com o problema. A dona de casa Maria Aparecida dos Reis reformou a casa há um ano na tentativa de conter as rachaduras. Achou que tinha se livrado, mas o problema voltou.
A comerciante afirma ter procurado ajuda da Prefeitura. “Fui informada de que como é apenas um cômodo a minha casa não pode ser interditada nem posso ser indenizada. Por segurança, não dormimos mais no quarto.” Na tentativa de evitar um desabamento, a família instalou um alicerce com pedaços de madeira dentro do quarto para reforçar a parede. “Fizemos um orçamento e gastaríamos mais de R$ 15 mil para reformar. É muito caro.”
Outra que reclama do mesmo problema é a dona de casa Maria Aparecida dos Reis, morada da mesma rua. “Moro há cinco anos no bairro e quando comprei a casa não fui informada pelo proprietário das rachaduras.” Há um ano, Maria Aparecida reformou a casa e gastou cerca de R$ 16 mil. “Tive que vender um carro para arrumar e agora está voltando tudo de novo.” Os primeiros trincados começaram a aparecer no chão do quintal e nas paredes da sala e da garagem. “Tenho intenção de vender a casa e mudar daqui, mas quem vai querer comprar?”
A questão das rachaduras em casas do Jovita de Melo é antiga. Foi inclusive alvo de uma outra matéria do Comércio em 2009. Na época, os moradores residentes na mesma rua reclamavam do mesmo problema. Uma equipe da Prefeitura foi ao local e interditou uma das casas que estava em pior estado. Ao todo, três imóveis, antes localizados entre as residências de Zélia e Maria Aparecida, foram interditados e demolidos. Hoje só resta um terreno vazio com plantações de milho e cana. “Eles foram indenizados e mudaram do bairro”, disse Zélia.
Ainda em 2009, a reportagem apurou que o corretor responsável pelo loteamento havia morrido há dois anos. Os moradores reclamam que não foram informados da existência de uma mina d’água sob os terrenos a uma profundidade de três metros, o que poderia estar abalando as estruturas dos imóveis.
O loteamento foi formado há quase 17 anos pela Associação Comunitária Pró-Moradia, que está desativada. Na época, o ex-vereador Vanderlei Tristão ajudou na comercialização dos terrenos e afirma que foi feita uma análise do solo e nenhum problema foi constatado. “Próximo a estas casas, existe uma voçoroca onde nasce uma mina. Como o buraco não foi contido, ele cresceu.”
A reportagem tentou entrar em contato com o secretário de Planejamento e Urbanismo, Wilson Teixeira, via assessoria de imprensa, mas até o fechamento da matéria, o secretário não deu retorno.
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