Uma criança ficou gravemente ferida após o ataque de um cachorro de rua por volta do meio-dia de ontem, na Vila Santa Terezinha. De acordo com familiares, Ryan Henrique da Silva, 8, foi deixado por uma van escolar na porta da casa de sua avó, a sapateira aposentada Maria Aparecida da Silva, 67. Como seus pais trabalham, o menino passa todas as tardes na casa da avó.
Ao tentar abrir o portão de casa, Ryan pisou acidentalmente no rabo do cachorro e foi atacado. “Ele dizia ‘Eu vou morrer! Me acode! Era sangue que não parava”, disse Maria Aparecida, visivelmente abalada. Segundo ela, o sangue jorrava do braço direito dilacerado pelo animal. O sangramento foi estancado com toalhas, antes da chegada dos Bombeiros. O menino foi levado para o PS infantil e, de lá, encaminhado para a Santa Casa, onde chegou em estado grave.
A mãe do menino, a pespontadeira Meire Pimenta, 46, contou ontem à noite que a criança passou por uma cirurgia de reconstituição do braço direito. Ryan ainda teve fratura na mão esquerda e um ferimento superficial na perna direita. O menino está em observação no hospital e não corre risco de morte. A assessoria de imprensa da Santa Casa de Franca afirmou que o quadro de Ryan é estável.
O cão de grande porte, sem raça definida, foi enviado ao Canil Municipal. A tia-avó do garoto, a sapateira Regina Célia Pinhal, 51, revoltou-se com os procedimentos dos Bombeiros. “Eles não estavam preparados para pegar um animal. Deram muita paulada no cachorro. Por mais que ele tenha feito o que ele fez, o animal não pode ser maltratado.” Um dos bombeiros que participou da operação, mas que não quis se identificar, explicou que a equipe teve muita dificuldade para conter o animal. “Nós o pegamos usando de meios necessários.”
O cão já tem um histórico de agressões, tendo atacado diversos moradores do bairro, entre adultos e crianças, desde que apareceu na área há cerca de quatro meses. Regina reclama que já ligou para a Vigilância em Saúde da cidade para prender o cão, mas não obteve sucesso.
“A lei estadual 12.916, de 2008, diz que o cão de rua hoje é um cão comunitário. Para esse animal ser capturado e levado para o Canil Municipal, ele precisa ser um animal agressivo, desde que se tenha o laudo médico da pessoa que foi agredida e o boletim de ocorrência”, explicou o chefe da Vigilância em Saúde, José Conrado Neto. Como os Bombeiros fizeram o BO e o laudo médico estava sendo preparado, o animal foi admitido no Canil.
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