Rasguei minh’alma
Em centenas de pedaços
E lancei-os ao vento.
Alguns pairaram no ar
quais satélites etéreos,
e de lá enviaram-me
versos fantásticos.
Outros tantos retalhos,
pousando na terra foram pisados,
germinando ramos espinhosos
que me ferem as solas dos pés.
O sangue de tais chagas
tem sido a tinta densa
de poemas pungentes.
É meu modo de estar no mundo,
meu jeito de cantar e rezar o mundo,
de chorar e rir com o homem
e justificar, assim, minha existência.
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