Não morra!


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Peço encarecidamente aos meus prezados leitores que não morram. Já não os tenho em quantidade e, se morrerem, para quem escreverei? Portanto, lute, resista, enfrente e permaneça para dar mais uma olhadela, um sorriso, uma gargalhada. Abaixe o colesterol, o açúcar no sangue, a pressão arterial. Livre-se da depressão. Fuja da Ceifadeira maldita que está sempre querendo nos levar para plagas ignotas,estranhas e não sabidas.

Eu o prezo muito, prezado leitor. Não me abandone. Não vá embora tão cedo. Espere a próxima crônica. Ela poderá trazer-lhe um pouco de alegria.

O Ênio Figueiredo não esperou. Sinto até hoje a sua falta. Quando eu estava no Arquivo Histórico, ele sempre aparecia por lá para comentar os meus textos e, com os seus causos de família, fornecia -me muita inspiração para novos escritos.

Mais recentemente, o Zé Mineiro resolveu partir. Quase todas as segundas-feiras, José Alves de Castro, o Zé Mineiro, sempre cordial e risonho, vinha comentar as minhas crônicas. Lia todas. O Zé conhecia inúmeras histórias. Porém, mineiro cauteloso, não m’as revelava. Tinha receio que eu o citasse como informante. Contudo, a história mais bonita, exemplar e significativa já estava à vista de todos. Era, simplesmente, a história de sua própria vida. A história de um menino pobre que veio lá do Gancho, isto é, da nossa querida Delfinópolis. Veio para Franca, tornou-se sapateiro e acabou virando um industrial de sucesso. Ficou rico, é verdade, mas continuou sendo o Zé, Mineiro e Sapateiro, encarnação e símbolo de nossa gente.

Pois é, Zé Mineiro, meu querido leitor, amigo e irmão. Eu não queria citá-lo numa crônica dessa natureza. Porém, você não me deu outra alternativa. Sua história é muito bonita para ser encoberta ou esquecida.

Enfim, caríssimo leitor, não deixe que o fim chegue. Vire a página, continue. Olhe mais um pouco, ria mais um pouco. Não me abandone. Não morra, por favor, não morra!

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