Um empreendimento lançado e outros quatro engatilhados. Este é o cardápio que vai trazer para Franca centenas de novos imóveis populares e de alto padrão, segundo o empresário Ricardo Pagano, 51. Nascido em Cravinhos (SP) e morador em Ribeirão Preto, o administrador de empresas, em sociedade com o irmão Armando Pagano Junior, 68, ergueu há 29 anos a construtora Pagano e, há cinco, voltou os olhos e o faro empresarial também para Franca, uma das nove cidades onde o grupo atua.
Depois de fazer contatos e peceber um potencial imobiliário na cidade, a Pagano fez o primeiro lançamento em Franca, no ano de 2011: o residencial Villa São Vicente, que foi totalmente comercializado em quatro meses.
Para Ricardo, Franca é muito carente de imóveis e de novos projetos, sendo, portanto, terreno fértil para bons empreendimentos para públicos de diferentes classes econômicas. “Não adianta fazer uma cidade só para o rico ou só para o pobre, tem que atender todas as classes.”
Para ele, os atuais “tempos dourados” do mercado imobiliário de Franca se assemelham com o que Ribeirão Preto viveu há três décadas.
À frente de uma equipe de aproximadamente 220 profissionais - entre os setores administrativo e de obras -, Pagano viu sair do papel em quase 30 anos de trabalho 42 obras com 7,2 mil unidades residenciais.
E ele quer mais. Não descarta expandir a área de atuação da construtora, hoje fixada em um raio de cem quilômetros a partir de Ribeirão Preto, para outras cidades de São Paulo e até para outros Estados. Ao mesmo tempo, trabalha para fazer “pipocar” casas e prédios nos municípios já conquistados. E Franca está nessa lista.
E se os planos diretores e a burocracia para a aprovação de novos empreendimentos - que, de acordo com ele, está cada dia maior, pior e mais difícil em algumas cidades - não atrapalharem, as mudanças serão sensíveis em pouco tempo. Ao menos para Franca, isso não parece ser empecilho: segundo Pagano, trata-se da cidade da região mais “tranquila” para aprovações. “As regras são claras.”
Comércio da Franca - Como nasceu a Construtora Pagano?
Ricardo Pagano - A construtora foi criada em 1984 e surgiu a partir de uma fazenda de nossa família perto de Cravinhos. Nessas terras foi feito um loteamento, ainda em 1964. E esse loteamento foi a primeira incursão da família no ramo imobiliário. A partir daí, 20 anos depois, fundamos a Construtora Pagano, eu e meu irmão Armando Pagano Junior.
Comércio - Há a intenção de expandir a atuação da construtora?
Pagano - Em 2000, fizemos um planejamento estratégico e definimos como raio de atuação cem quilômetros em torno de Ribeirão. Passamos então a atuar, em Cravinhos, Santa Rita do Passa Quatro, São Carlos, Araraquara, Taquaritinga, São Joaquim da Barra, Franca e Sertãozinho. Já existe um estudo para atuarmos na região de Piracicaba, Santa Bárbara d’Oeste, Campinas e outros Estados.
Comércio - Como foi a decisão de incluir Franca na expansão?
Pagano - No início havia muitas dúvidas em relação à cidade por conta [da dependência] do setor calçadista, que em um momento oferece emprego e em outro não tem, mas a gente resolveu apostar e acho que apostamos certo. Franca não é mais tão dependente do calçado. É carente de imóveis, de novos projetos. Se comparada com Ribeirão, Franca é toda horizontalizada, você vê que a cidade agora está tomando outra cara. Hoje a economia já é muito mais diversificada e isso acaba dando uma segurança maior. Os empreendimentos vão atrás disso por conta da demanda que vem aparecendo.
Comércio - Como trabalhar proporcionando não apenas a construção, mas qualidade de vida?
Pagano - A construtora atua no ramo residencial, construindo desde loteamentos até casas e apartamentos. É aquela coisa de você chegar a um terreno, vê-lo bruto, idealizar o que é legal fazer e depois imaginar cada família vivendo ali, sendo feliz, num lugar agradável. Não é simplesmente entregar um imóvel. É pensar em um conceito mais amplo. Um exemplo é a Villa São Vicente [primeiro empreendimento da Pagano em Franca], onde temos uma área de lazer com piscina, quadra, área gourmet, academia, sala de leitura, salão de jogos. Não é simplesmente um projeto frio, é proporcionar qualidade boa de vida para quem morar.
Comércio - A construção civil é grande gerador de renda e emprego. Como explorá-lo mais na região?
Pagano - A construção civil hoje é o setor que mais está contratando mão de obra no País. A demanda já é grande e vai ser muito maior. Em nossa região a cana-de-açúcar está muito presente e, com a mecanização da colheita, criou-se um trauma [que faltariam empregos]. Os governantes deveriam se preocupar mais e oferecer treinamentos e cursos de qualificação, ou seja, ajudar o boia fria a deixar de ser boia fria e passar a ser funcionário da construção civil, que tem condições de absorver toda essa mão de obra quando houver 100% da mecanização, o que vai acontecer até 2017.
Comércio - Quais foram as maiores evoluções do setor da construção civil nos últimos anos?
Pagano - A maior evolução foi a redução de desperdício em função do maior detalhamento dos projetos. Antes existia muito improviso no decorrer da obra. Hoje em dia os projetos são bem detalhados e é possível executar uma obra exatamente da maneira que está no projeto. Sem contar que as empresas se profissionalizaram muito mais, com o treinamento de funcionários. Falávamos no passado que, na construção civil, um terço de tudo era desperdício e hoje se fala em cerca de 2% ou 3% apenas.
Comércio - O potencial produtivo e construtivo da região reflete diretamente em quais outros setores da economia a seu ver?
Pagano - É um efeito em cascata e vários setores são beneficiados. Para exemplificar, se você for pensar em uma ordem de grandeza, a pessoa que constrói uma casa, vai mobiliá-la, comprar eletrodomésticos, fazer a decoração e até contratação de mão de obra, movimentando a economia como um todo.
Comércio - Como está o termo de aprovação de novos empreendimentos por parte das prefeituras?
Pagano - A burocracia está cada dia maior, cada dia pior, cada dia mais difícil. [Entre as mais burocráticas] Em primeiro lugar está Ribeirão, sem dúvida. Você fica um ano esperando aprovação de um projeto de prédio e quatro anos um de loteamento. Em Franca, esse tempo é de três meses para prédios e de um ano para loteamentos. Dentre as razões, acho que estão o tamanho da cidade [de Ribeirão] e os departamentos muito inchados. Dentre as cidades onde a gente atua, Franca é, relativamente, a mais tranquila. As regras são claras e temos um bom relacionamento com as áreas técnicas da Prefeitura. Desde que cumpridas as exigências que são impostas tanto pelo plano diretor, como pela área técnica da Prefeitura, os projetos são aprovados sem intercorrência.
Comércio - Além do agronegócio - com clara influência no surgimento da nova classe média alta de Ribeirão -, o que mais influencia nesse “enriquecimento” visível da população da cidade vizinha?
Pagano - Em Ribeirão, por ser polo de região, o setor de serviços se expandiu muito e isso impulsionou a cidade. Franca, por ser a segunda maior cidade de nossa região, tem um destino meio parecido. Vejo Franca como Ribeirão há 30 anos, quando começaram os novos projetos e a cidade tomou uma nova cara. Vejo que Franca vai começar a viver esse crescimento imobiliário que Ribeirão viveu 30 anos atrás.
Comércio - Quais são os principais cuidados que se deve ter com a sustentabilidade dos empreendimentos?
Pagano - A sustentabilidade hoje na construção civil é uma realidade sem volta, faz parte de nossa rotina. Mas isso está muito mais difundido na cidade de São Paulo do que no interior do Estado, principalmente por causa do custo da implantação de todos os equipamentos. Se você for fazer uma obra 100% sustentável, ela vai ficar muito mais cara do que uma obra normal, e evidentemente você precisa transferir [o custo] para o preço do imóvel.
Comércio - Pensando em padrão e preço, os mercados imobiliários de Ribeirão e Franca têm muitas diferenças? Como o senhor descreveria um imóvel considerado de alto padrão em Ribeirão e um em Franca?
Pagano - Os imóveis de alto padrão têm características parecidas. Se você pegar um apartamento de luxo ou um loteamento em Franca e em Ribeirão, você vai ver mais ou menos a mesma coisa. Em relação aos preços, em Franca você ainda compra imóvel mais barato que em Ribeirão, porém, após o boom que tivemos nos últimos anos, já há um realinhamento de preços, que estão mais equilibrados. A tendência é que a gente encontre uma estabilidade daqui para frente. Com os prazos de financiamentos mais longos e com juros menores, a cada dia vai ficar mais fácil para a pessoa adquirir seu imóvel. Muitos que pagam aluguel e nunca imaginaram comprar imóveis, se pararem para fazer contas vão ver que o que pagam talvez seja o valor de um financiamento, e isso vai impulsionar demais o mercado imobiliário.
Comércio - Com a sua experiência, Franca tem potencial para crescer para quais regiões?
Pagano - Existe já uma tendência natural para a zona sul, que é o lado para onde Franca está se desenvolvendo com os produtos de alto padrão. O setor oeste também vai crescer muito no segmento de padrões médio e popular.
Comércio - Quantos empreendimentos a Pagano lançou, construiu e entregou no mercado até agora? E para Franca, quais são os projetos?
Pagano - Foram lançados ao todo 42 empreendimentos, com 7,2 mil unidades construídas e entregues nas cidades onde atuamos. Em Franca temos lançado e em fase de término das obras a Villa São Vicente. E teremos a Quinta do Imperador, que está em fase final de aprovação na Prefeitura e conta com lotes de 500 metros quadrados na avenida Ismael Alonso Y Alonso; um condomínio com 150 casas de 200 metros quadrados no bairro Santo Agostinho; um edifício (próximo ao Piratininga) com 32 apartamentos de 85 metros quadrados voltado para classe média e um loteamento popular que está sendo aprovado para a zona oeste.
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