A sensação de insegurança dos moradores de Franca foi confirmada pelo último balanço da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Os números fechados do ano passado apontam 802 furtos a mais que em 2011, totalizando 6.342 ocorrências - uma média de 17 por dia. Os bairros que mais sofrem com este tipo de crime estão na zona Oeste da cidade. Os dados poderiam ser ainda maiores se levassem em conta furtos de veículos, que chegaram a 860 em 2012 - a maior parte no Centro (leia mais em texto nesta página).
Moradora da zona Oeste, no Jardim Pedigoni, a sapateira GMO, 43, é mais uma vítima da criminalidade. Ela chamou a polícia na última quinta-feira, por volta do meio-dia, assim que colocou os pés dentro de casa. “Eu acho que na hora que entrei, fazia pouco tempo que eles [ladrões] tinham saído, porque tinha mais coisas para levar”, disse a mulher que teve um computador e vários eletrodomésticos furtados. Ela vive há 14 anos no bairro com seus dois filhos, em uma casa ampla de quintal aberto e com algumas ferramentas espalhadas. “Eles pegaram uma escada de pedreiro e entraram pelo segundo andar, forçando a porta de ferro.”
Segundo a sapateira, outros cinco vizinhos, na mesma rua, já passaram por dramas semelhantes. “Nunca tinham entrado na minha casa. Eu tenho medo, porque moro só eu e meus filhos.” Ela desconfia que os invasores sejam usuários de drogas à procura de objetos de pequeno valor.
O delegado do 2º Distrito Policial, João Walter Tostes Garcia, faz um alerta para a população sobre a importância de informar com maior riqueza de detalhes possível, os objetos furtados e como o crime aconteceu para que a identificação dos suspeitos seja feita com exatidão. Segundo ele, nem sempre os boletins de ocorrência chegam tão completos quanto os da sapateira.
Na maioria das vezes, faltam informações específicas do material levado, como número de série e modelo. Esses elementos ajudam na hora da identificação que pode ser feita por qualquer delegacia da cidade, já que as investigações são conjuntas. Garcia afirma que todos os departamentos da Polícia Civil trabalham de maneira coordenada para solucionar os crimes.
Para explicar como funciona esse trabalho integrado, o delegado deu um exemplo. “A Dise [Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes] sai para cumprir um mandado de busca e, na maioria das vezes, eles encontram drogas e material furtado.”
Todo produto encontrado é enviado para a delegacia, onde os investigadores conferem se existe alguma queixa de furto. “Fica tudo arquivado no sistema. Usamos o RDO (Registro Digital de Ocorrências), que permite a qualquer delegacia descobrir quem fez a queixa. Essa é uma ferramenta muito importante para a investigação. Mas alguns objetos, como eletrônicos e móveis, são mais difíceis de identificar.”
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