Cultura da violência


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O recente atentado contra crianças e adultos em escola dos EUA, mais precisamente em Newtown, Connecticut, permite uma quase infindável série de ilações. Há que se considerar a cultura da violência que caracteriza o povo norte-americano.

Veja-se a ‘conquista do oeste’, verdadeiro banho de sangue. O cinema se encarregou de mostrar ao mundo o que foi a saga contra os índios. Proprietários das terras, perderam-nas, vencidos pelos brancos. Tudo era resolvido a bala, violento instrumento da lei do mais rápido. Cidadão algum andava pelas cidades e pelos campos sem que estivesse devidamente armado. A frase ‘um homem sem revolver está nu’ patenteia, em filme e pela boca de John Wayne, expressão estelar do cinema, o espírito da violência armada. Claro que se deve considerar o contexto, mas a frase reflete o espírito de beligerância que imperava em todo o oeste americano.

Em segundo lugar, devemos ter em conta que os americanos do Norte sempre fizeram guerra contra outros países, sem que se justificassem, mormente quando motivados pela defesa de meros interesses financeiros das grandes empresas fabricantes de armas ou produtoras de petróleo. Como já dissemos em outra oportunidade, segundo o que nos adianta o espírito Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, os norte-americanos são a reencarnação dos antigos romanos, daí o seu desejo de domínio pela força das armas, tal como faziam as legiões dos Césares.

Finalmente, tenhamos em conta que o porte privado é pouco regulamentado, e cada estado aplica suas próprias leis sobre as permissões para compra, posse e controle de armas. Em 43 estados, por exemplo, não é necessário ter licença ou registro para portar uma. No Texas e em outros cinco estados, não há idade limite para obtê-las. Quem quiser, e sem qualquer burocracia, pode adquiri-las numa loja especializada, tendo a facilidade aumentada dizendo-se colecionador! Podemos concluir que se trata de uma verdadeira cultura da violência, de arraigada tradição.

Tudo seria admissível, porquanto trata-se do exercício de liberdade e de livre iniciativa, mas, a dor, a angústia, o sentimento de perda ou de invalidez representam preço que não se mensura nem pela importância da liberdade, nem pela ambição da economia. Como justificar a posse e o porte de armas ante acontecimentos dolorosos como o massacre de crianças em Newtown? Evidentemente que não estamos afirmando que seja esta a única causa. Mas, é, sem dúvida, a principal!

Não há determinismo. Na condição de espíritas, sabemos, perfeitamente, que as crianças que morreram no atentado só pereceram em função de ajustes intransferíveis. Mas, não olvidemos que a redenção, o resgate pelo espírito, pode e deve dar-se em ambiente que se deixe presidir pela paz, corolário do amor. Dir-se-á: então o atirador não tem culpa! Tal afirmação, contudo, só se prestaria a negar que ‘o amor cobre milhões dos pecados’.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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