O caderno Brasil deste Comércio trouxe na sexta-feira, 25/01, uma notícia que talvez tenha passado despercebida para muita gente: a volta à mesa de negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que havia sido praticamente abandonado em 2006 por conta das travas que os países do velho continente insistiam em colocar sobre a questão do agronegócio, um setor em que o Brasil é infinitamente superior a qualquer país europeu.
No entanto, a grave crise econômica vivenciada por quase toda a Europa acabou reavivando as conversas que ficaram paralisadas por quase seis anos. Ávidos por novos mercados, os europeus estão pressionando o Mercosul para uma nova rodada de negociações, mesmo que para isso precisem abrir mão de seus subsídios agrícolas e abandonar seus resistentes e ineficientes produtores à competitividade pura e simples do agrobusiness mundial.
A notícia, em si mesma, não é boa nem ruim. De certa forma, pode ser vista como uma oportunidade ou como uma ameaça, o que no fundo mostra apenas uma questão de interpretação e posicionamento, pois como dizia John Gardner, ‘por trás de toda ameaça existe uma oportunidade brilhantemente disfarçada’.
Para a economia brasileira, de forma geral, a possibilidade de colocar nossas commodities agrícolas e minerais no mercado europeu com mais facilidade é com certeza um alento e tanto para o governo e para os empresários desses setores. Mas, para a economia europeia, por outro lado, a possibilidade de colocar seus produtos tecnologicamente melhores e mais eficientes em nosso país seria também um grande alívio para a crise que vivenciam hoje em dia.
Como sempre acontece em uma negociação dessa magnitude, alguns perderiam e outros ganhariam, pois é impossível pensar que em um acordo bilateral apenas uma parte leve vantagem.
No caso específico de Franca e região, com certeza alguns empresários olhariam o acordo como uma ameaça, temendo a entrada desses sofisticados produtos europeus em nosso mercado, como os sapatos italianos, por exemplo, o que os levaria a posicionar-se contra as conversações e a lamentá-las seguidamente. Por outro lado, aqueles mais otimistas talvez vislumbrassem nesse possível acordo uma excelente oportunidade de negócio, pois olhariam para o outro lado do oceano e perceberiam um excelente mercado se abrindo para sua produção, o que os levaria até mesmo a antecipar-se a esses acordos.
No fundo, o que vai restar disso tudo serão as atitudes. Por questões relacionadas ao atual momento político e econômico, tudo indica que o acordo deverá avançar nesses próximos anos. Nesse sentido, caberá aos empresários de todo o país a organização, o planejamento e a adequação de seus negócios, preparando-os para enfrentar essa possível realidade, e não evitá-la.
Se por acaso ela não se confirmar, pelo menos eles terão feito um excelente exercício de inteligência competitiva e de análise de ambiente, o que está faltando hoje em dia.
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