Agências bancárias de Franca foram obrigadas a fechar as portas mais cedo ontem. O motivo foi uma manifestação dos vigilantes bancários. Cerca de 40 trabalhadores se reuniram no Centro para protestarem contra o não pagamento de um adicional de 30% no salário. Sem os seguranças, os bancos não podem funcionar.
Com faixas, buzinas e rojões, o grupo entrou nas agências e convenceu os colegas a aderirem ao protesto. “Só queremos que a lei seja cumprida. A lei 12.740 foi sancionada no dia 10 de dezembro e esse reajuste deveria ter caído em janeiro! Todos os vigilantes do Brasil estão unidos nesse protesto”, afirmou o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Franca e Região, Antônio Guerreiro Filho.
A lei citada pelo sindicalista estende o adicional de 30% de periculosidade aos vigilantes e seguranças privados, devido ao risco de roubos ou outros tipos de violência física.
Antônio Guerreiro Filho disse que outros protestos podem ocorrer caso o adicional não esteja presente no próximo pagamento. “Isso é só uma mostra do que podemos fazer.” Segundo ele, existem cerca de 600 profissionais que atuam na área de vigilância privada na cidade.
De acordo com o Sindicato dos Bancários de Franca e dos próprios manifestantes, nem todas as agências bancárias foram fechadas. “O Centro e a Estação foram os principais bairros atingidos, mas sei que algumas agências da cidade mantiveram os seguranças trabalhando e, portanto, funcionaram perfeitamente”, afirmou Rogério Marques da Silva, secretário de Imprensa e Comunicação Social do Sindicato dos Bancários. Nem ele nem os manifestantes souberam dizer exatamente quantas unidades permaneceram abertas.
Apesar de ser proibido, segundo os bancários, três agências da cidade trabalharam sem seguranças e foram denunciadas à Polícia Federal.
“Os bancos demonstram a cada dia sua ganância pelos altos lucros, não se importando em colocar em risco a vida dos clientes e de seu maior patrimônio, que são seus funcionários. Esperamos que este desrespeito à lei e à vida das pessoas seja punido”, disse o vice-presidente do sindicato, Osório Carbone, através de nota publicada no site da instituição.
Pela lei, nenhuma agência pode abrir as portas sem a presença de, no mínimo, dois vigilantes.
OUTRO LADO
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) divulgou nota ontem, afirmando que o pedido de reajuste imediato feito pelos vigilantes é infundado. “O Ministério do Trabalho e Emprego já comunicou oficialmente a formação de um grupo técnico para redigir as condições de aplicação da lei que estabelece o pagamento do adicional de periculosidade, após sua regulamentação. Portanto, a reivindicação de aplicação imediata é descabida”.
Segundo a nota, as “instituições financeiras desenvolverão todos os esforços legais para bem atender os usuários dos serviços bancários”.
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