Problemas ambientais


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Entre os dias 13 e 22 de junho, no Rio de Janeiro, aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida também como Rio+20. Duas décadas depois da primeira conferência, o mundo todo se reencontrou nessa mesma cidade para refletir sobre os desígnios de um planeta cada vez mais estrangulado pela força de um desenvolvimento pouco sustentável e planejado.

Apesar do esforço de vários países, poucos resultados concretos foram alcançados nesses 20 anos. Mas nem por isso se deve desconsider a iniciativa. Para além de algumas poucas normas nem sempre respeitadas, acabou sendo importante para aumentar a conscientização de todos os cidadãos sobre os sérios problemas que um desenvolvimento não planejado poderá nos trazer em um futuro próximo.

Em Franca e região, porém, parece que essa conscientização ainda está bastante incipiente. Pelo menos é o que se pode inferir pelo alto número de autuações aplicadas pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) em 2012. Ao todo, foram 263, um número quase 20% superior ao de 2011.

Mesmo considerando que houve um aumento no rigor e na intensidade da fiscalização, é possível deduzir que os problemas de contaminação de solo, poluição do ar, desmatamento de área de preservação e falta de licenciamento ambiental continuam aumentando, a despeito de toda a discussão e divulgação que se faz em torno do crescimento sustentável e das várias possibilidades que atualmente existem de se ganhar dinheiro com produtos e processos inspirados ecologicamente.

Esses números e os resultados da Rio+20, no entanto, não deveriam surpreender, pois o problema não está apenas nas empresas ou nos investidores que transgridem as normas ambientais para aumentarem seus lucros, mas encontra-se também em toda a sociedade, já que esta escolheu viver sob um sistema político, econômico e cultural que prima pela transformação da natureza em mercadorias que hoje geram muitos resíduos para poderem circular livremente entre países, continentes e pessoas, a despeito de etnia, gênero ou classe socioeconômica.

Nesse sentido, se quisermos um mundo cada vez mais igualitário, precisaremos transformar ainda mais a natureza para dar conta de produtos e serviços que em função do crescimento econômico contínuo já começaram a ser consumidos pelas classes de mais baixa renda, maioria absoluta da população mundial. Precisaremos tirar mais matas para colocar casas para todos. Também será necessário extrair mais ferro e petróleo para que novos carros venham a realizar o sonho daqueles que ainda não os têm. Será, preciso, enfim, aumentar a produção de todos os produtos para dar conta desse consumo em crescimento.

De forma geral, será muito difícil conciliar sustentabilidade com a produção de tudo para todos. Afinal, quem não quer um carro, um sapato ou um vestido novo? Quem não quer comida pronta, deslocamento rápido e muito conforto?

A questão é complexa e não podemos fugir dela.

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