A aquisição do controle do Hospital Regional pela Unimed Franca recebeu ontem mais uma negativa. Na votação que poderia por fim ao processo de concretização do negócio, o conselheiro relator do caso, Elvino de Carvalho Mendonça, deu parecer contrário à união dos hospitais. Na mesma sessão, o presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Vinícius Marques de Carvalho, pediu vista do processo e adiou a decisão para o dia 20 de fevereiro.
O caso da Unimed e Regional foi o primeiro processo a entrar em pauta na 15ª sessão de julgamento do Cade realizada em Brasília. Durante duas horas houve explanações sobre os prós e os contras da fusão. Entre os que pediram a palavra estava a advogada do processo, Leonor Augusta Cordovil. Em Franca, a diretoria da Unimed acompanhou a reunião pela internet e elogiou a defesa de Leonor.
Segundo a assessoria do órgão, durante a sessão o conselheiro relator votou pela reprovação e em seguida o presidente do conselho manifestou o interesse de analisar o projeto. Ele quer construir um melhor entendimento sobre o processo para que em seguida possa manifestar o voto.
O julgamento para a união dos hospitais está em andamento no Cade desde o ano passado. Inicialmente, a superintendência do órgão sugeriu que a operação não fosse aprovada, porque, segundo informou em nota, “elevaria riscos de prejuízos ao consumidor de serviços médico-hospitalares e planos de saúde da cidade e região”. De acordo com a superintendência, com a elevada concentração de mercado, há grande possibilidade de deterioração da qualidade e elevação dos preços dos serviços. Para o presidente da Unimed, o médico Otto Barbosa, o assunto é polêmico e o voto de reprovação inicialmente trouxe uma apreensão que depois ficou mais branda com o pedido de apreciação por parte do presidente do Cade. “Podemos dizer que saímos satisfeitos da reunião. O pedido de vista do presidente mostra que existe dúvidas dentro do próprio Cade. Agora tudo começa do zero novamente, haverá uma nova posição e, por isso, estamos com mais otimismo. A esperança reacendeu”, disse ele. No começo de janeiro a Unimed já havia comemorado a autorização da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) para adquirir a carteira de clientes do Hospital Regional, atualmente em torno de 40 mil conveniados. Agora, torce por uma decisão positiva do Cade.
Barbosa disse ainda que enviará ao Cade uma farta documentação e também assinará um termo de compromisso de desempenho garantindo premissas de seguranças para os usuários. “O Cade está demonstrando uma preocupação em relação aos possíveis efeitos da decisão, não é só a concorrência que está em jogo. Uma decisão equivocada pode prejudicar os usuários no futuro.”
A reportagem procurou pelo conselheiro relator do caso mas a assessoria do Cade informou que ele só poderá conceder entrevista após o final da votação, prevista para ocorrer no dia 20 de fevereiro. Na ocasião, o presidente do Cade dará o seu voto assim como os outros conselheiros que ainda não se manifestaram. O plenário do Cade é composto por seis conselheiros e um presidente. A decisão final é determinada pela maioria dos votos. Caso o parecer final do Cade não seja favorável à fusão, toda a operação terá que ser desfeita
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.