Viver em sociedade nos obriga a cumprir obrigações diariamente. Essas obrigações, pelo simples fato de serem obrigações, devem ser cumpridas e pronto. Contudo, nós, os seres humanos, dotados de várias carências, mesmo quando cumprimos, ficamos aguardando reconhecimento. Queremos ser elogiados.
Não custa elogiar quem cumpre suas obrigações, mas também não dá prá ficar esperando reconhecimento a todo e qualquer momento. O simples fato de reconhecer que a obrigação foi bem feita já é reconhecimento, não é?
Sábado passado, por volta das 8h30, enfrentamos, minha mulher e eu, visita visita desagradável em nosso ambiente de trabalho.
Num espaço de trinta minutos, bandidos pularam um muro de mais de três metros de altura, abriram uma janela de vidro blindex, estouraram fechadura elétrica de um portão, cortaram a sirene do alarme e levaram alguns eletrodomésticos. Levaram de táxi!
Quando tudo isso aconteceu, eu estava na universidade. Ao chegar a nosso escritório, minha esposa já tinha acionado a polícia e não havia mais nada a fazer, a não ser esperar, refletir, refletir e refletir de novo.
Numa dessas reflexões, conversando com minha mulher, afirmei-lhe que mesmo eu não estando lá, tudo o que ela fez não foi mais do que sua obrigação. Era ela mesma quem tinha que providenciar tudo o que já tinha feito. Imaginem o ‘estrago’ que minhas palavras causaram. Ela, num momento de tristeza pura e eu, afirmando afirmando que tudo o que ela houvera feito, era obrigação dela; agindo como espero que a polícia faça, já que é obrigação dos órgãos de segurança investigar o furto cometido e dar uma resposta efetiva a nós, que fomos furtados, e à sociedade, como um todo.
Acredito que estar ao lado e ajudar a superar dificuldades e tristezas valem muito mais do que palavras. Palavras sem ação não significam nada. Palavras voam como o vento. Ações ficam materializadas e permanecem. Dou mais valor a quem faz do que a quem fala!
Qual é a minha obrigação? Aumentar a segurança para tentar impedir que o furto ocorra novamente. Não dá prá esperar elogios por fazer o necessário para aumentar a segurança no imóvel. Essa é a minha parte, como é a parte da polícia investigar e descobrir quem realizou o furto e é obrigação do taxista dar esclarecimentos à segurança pública.
Para que ninguém diga que sou insensível, afirmo publicamente que fiquei orgulhoso da obrigação bem cumprida por minha esposa. Fez muito bem o que deveria ter sido feito!
É obrigação de todo ser humano também procurar entender o outro, ainda que a necessidade do outro seja diferente da sua. Reconhecer erros também é uma obrigação!
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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