Logo despois das eleições municipais, Sidnei Rocha mostrou que seu jeito duro de fazer política não iria terminar juntamente com seu mandato. Poucos dias após a eleição de Alexandre Ferreira, ele veio aos microfones da Difusora AM e criticou pesado a Santa Casa, alguns adversários políticos e todos os deputados francanos.
Agora foi a vez dos prefeitos que compõem o Comam (Consórcio de Municípios da Alta Mogiana) experimentarem a acidez das palavras do ex-prefeito de Franca. Durante a reunião que marcou a troca de comando do Consórcio, Sidnei discutiu com alguns colegas, chamou um ex-prefeito de omisso e cobrou as mensalidades atrasadas de algumas prefeituras, afirmando que aquelas que não conseguissem pagar mil reais por mês tinham mais é que abandonar o Comam.
Mas não parou por aí. Em seu discurso de despedida, Sidnei cobrou uma participação mais efetiva dos prefeitos para que o Consórcio pudesse ter mais representatividade perante as outras instâncias governamentais. Com a assertividade de sempre, o ex-prefeito de Franca não se fez de rogado: ‘cuidem do Comam ou acabem com esta merda’. Obviamente, nos dias de hoje, a palavra merda não assusta mais ninguém, nem pode ser considerada um palavrão, tamanha é sua presença no cotidiano de todas as pessoas e até mesmo na mídia, em seus mais inocentes programas e horários. Mas, por outro lado, não se pode esquecer que essa constante presença está geralmente ligada à informalidade dos relacionamentos comuns e não ao formalismo da política ou dos negócios, o que com certeza fez a expressão de Sidnei soar um pouco forte para o momento.
No entanto, não há como negar certa razão ao ex-prefeito de Franca. A ênfase, ou o exagero, talvez tenha sido a única forma de chamar a atenção dos atuais prefeitos para a real situação do Comam, que parece dar claros sinais de falta de união e solidariedade entre todos os municípios.
No ano passado, o congresso promovido pelo Consórcio foi um verdadeiro fracasso, com o auditório praticamente vazio em todos os dias do evento, inclusive no dia em que esteve presente um secretário de Estado, assemelhando-se mais a uma assembleia esvaziada de estudantes do que a um encontro de municípios interessados em discutir os problemas comuns, suas possíveis soluções e a melhor forma de atuar em conjunto para ganhar força e representatividade.
Durante a própria reunião, alguns prefeitos criticaram a forma de escolha da nova diretoria e disseram que não sabiam de nada e que não tinham sido consultados sobre a chapa única, como se fossem ‘viúvas’ a descobrirem a traição quando já não adiantava mais nada.
Diante desse triste cenário, talvez Sidnei tenha razão. Ou cuidem do Comam, ou então o abandonem. Fingir que estão juntos não vai ajudar nenhuma cidade, nem seus prefeitos.
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