Entusiasmados pelos resultados da 40ª Couromoda (Feira Internacional de Calçados, Artefatos de Couro e Acessórios de Moda), realizada em São Paulo na semana retrasada, vários empresários da cidade já fizeram seu planejamento para 2013 e retomaram as contratações. Estima-se que nessa nova temporada de admissões, aproximadamente 400 vagas sejam abertas para a produção, com salários que devem variar entre R$ 751 (o piso) a R$ 1,8 mil.
A notícia, com certeza, é ótima para toda a cidade. Mais empregos injeta mais dinheiro na economia e acaba impulsionando o comércio e setor de serviços, o que permite à cidade um crescimento mais regular e consistente.
No entanto, talvez não seja tão fácil preencher todas essas vagas em um curto espaço de tempo, pelo menos não com a mesma qualidade com a qual eram preenchidas há alguns anos.
Nesse mesmo espaço, o Comércio já chamou a atenção para esse problema, mostrando a escassez de mão de obra qualificada no setor calçadista em função de profissionais que conseguiam se estabelecer em outros setores da economia e não mostravam mais interesse em voltar para o setor calçadista, mesmo que houvesse uma paridade em termos salariais.
E o motivo parece bastante simples. Apesar do orgulho da cidade em torno de sua indústria calçadista, e dos antigos profissionais em relação ao seu ofício, os jovens da cidade não parecem muito dispostos a seguirem o exemplo de seus pais. Apesar de gostarem da profissão, como mostrou uma pesquisa publicada por este Comércio em 25/10/2011, Dia do Sapateiro, eles disseram encará-la apenas como transitória, um passo necessário para se chegar a um patamar mais alto na vida profissional.
De certa forma, não há nada de errado nesse raciocínio. Por ser um setor de mão-de-obra intensiva, a indústria calçadista francana ainda traz em seu funcionamento certas características do fordismo/taylorismo. As tarefas são repetitivas e bem definidas, com pouca utilização do capital intelectual, quase nenhuma flexibilidade e baixa mobilidade. Nesse sentido, não existe incentivo ao estudo, já que não há necessidade. Se não estudam, as pessoas não evoluem. Aos poucos, se acomodam e ficam anos repetindo os mesmos movimentos, como tão bem ironizou Charles Chaplin em seu famoso filme Tempos Modernos.
Nesse sentido, não há como se motivar. Um trabalho como esse, em plena sociedade do conhecimento, só pode ser encarado como transitório por jovens que querem chegar mais longe. Se entram para a indústria do calçado, é por necessidade. Assim que podem a deixam em busca de novas oportunidades.
Como Franca vem experimentando uma diversificação em sua economia e tem melhorado a formação de seus trabalhadores, com mais acesso à educação em todos os níveis, talvez fique realmente mais difícil preencher essas vagas.
Mas não custa nada torcer para que os atrativos e os benefícios do setor calçadista melhorem e atraiam, com razão de ser, novos profissionais.
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