Estado e Prefeitura anunciam construção de ala para jovens


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Wanderley Cintra, presidente do Allan Kardec, disse que hospital pode atender menores, mas depende de verba
Wanderley Cintra, presidente do Allan Kardec, disse que hospital pode atender menores, mas depende de verba

A Prefeitura de Franca e o governo do Estado vão construir uma ala para o atendimento de crianças e jovens com problemas psiquiátricos e de dependência química. O anúncio foi feito depois que o Comércio da Franca divulgou, na semana passada, a decisão judicial que obriga as duas esferas administrativas a oferecerem um local adequado para o atendimento de menores viciados.

A nova ala deverá ter capacidade inicial para atender no mínimo 20 jovens e terá de ficar pronta em, no máximo, seis meses. A multa pelo descumprimento da sentença assinada pelo juiz da Infância e Juventude de Franca, José Rodrigues Arimatéa, é de R$ 1 mil por dia de atraso. O valor será revertido para o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Segundo comunicado da Secretaria Estadual de Saúde, as negociações para a construção do novo espaço já estão em andamento. “O Departamento Regional de Saúde de Franca informa que foi notificado sobre a decisão da ação e já está em contato com o município para dar andamento nas medidas necessárias para a implantação dos 20 leitos para atendimento de crianças e adolescentes com problemas psiquiátricos e dependência química.”

Rosane Moscardini, secretária municipal de Saúde, disse que a nova ala deve ser construída em um espaço anexo ao prédio do Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec”. “Os custos da obra serão divididos entre o Estado e o município”, disse ela, sem revelar valores de investimento.

Depois de construído, a manutenção do atendimento e no prédio também será de responsabilidade das duas esferas - Estado e município. “A internação não é uma política do Ministério da Saúde. Logo as verbas para custear o serviço terão que vir do Estado e da Prefeitura”, disse a secretária.

O presidente do Hospital “Allan Kardec”, Wanderley Cintra, afirmou que o hospital tem condições de oferecer esse tipo de atendimento específico, mas que lhe faltam recursos. “Se houver o equivalente repasse, nós não temos nenhum problema para assumir esse serviço. É necessário apenas que algum ente público faça o custeio.”

SEM A ALA
Segundo a secretária Rosane Moscardini, atualmente os menores que têm problemas relacionados ao consumo de álcool ou drogas são atendidos pelo Caps (Centro de Atenção Psicossocial). “A internação só é utilizada para os casos graves e severos. Temos um convênio com o Instituto Pinel, em São Paulo, e com a Clínica Veredas, em Ituverava e em Campinas para este tipo de atendimento”, disse.

Apesar da existência desses convênios, as vagas disponíveis nem sempre são suficientes para atender a toda a demanda. Em maio deste ano, o Comércio da Franca denunciou que, na região, 39 jovens aguardavam internação.

Por falta de leitos, muitas vezes, crianças e jovens eram obrigados a serem atendidos junto com adultos pelo Hospital “Allan Kardec”.

A reportagem serviu de base para uma ação movida pelo Ministério Público em agosto do ano passado. No processo, o promotor da Infância e Juventude, Augusto Soares de Arruda Neto, pediu a construção imediata de uma ala destinada a tratar adequadamente este tipo de paciente.

Foi o julgamento desse processo que obrigou o governo estadual e a Prefeitura de Franca a construírem a unidade de tratamento.

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