Neste terceiro domingo do tempo comum, Jesus continua a se manifestar no início de sua vida pública
Acontece em um culto semanal na sinagoga de Nazaré, onde costuma participar, exercendo o ministério de leitor. Jesus, a Palavra de Deus viva e encarnada na história humana, proclama seu programa de vida.
PRIMEIRA LEITURA — NEEMIAS 8
Passaram mais de cem anos da volta do povo de Israel do exílio da Babilônia, mas eles ainda não conseguiram organizar satisfatoriamente suas vidas. Há muita confusão: cada qual se comporta como quer; há roubo, violência, exploração dos pobres. Com o objetivo de resolver esta situação caótica, o grande rei da Pérsia, Artaxerxes, envia para Jerusalém, Esdras, “sacerdote e escriba, versado na Lei de Moisés, dada pelo Senhor”, que procura as causas das desordens e não demora muito para perceber que todos os males se originam da falta de obediência à Lei.
No primeiro dia do ano, “ele apresenta a Lei diante da assembleia dos homens, e das mulheres e de todos os que têm capacidade de entender e a proclama na praça diante da Porta das Águas. O trecho da leitura de hoje narra como foi realizada esta primeira e solene celebração da Palavra, pois contém orientações úteis também para as nossas celebrações. Esdras, numa posição elevada, abre respeitosamente o livro, todo o povo se põe de pé para testemunhar sua veneração pelo texto sagrado. Esdras pronuncia a bênção e todos respondem: “Amém! Amém!”. Em seguida se ajoelham e se prostram. Os que participam da liturgia da Palavra não estão diante de um livro, mas diante do Senhor que fala.
A celebração da Palavra, embora não deva ser marcada por qualquer espécie de fausto ou pompa, precisa de um ambiente de respeito, de recolhimento, de solenidade. A simples leitura não é suficiente. A palavra de Deus é eficaz só na medida em que é entendida; por isso é preciso que seja interpretada e explicada através de uma linguagem simples, compreensível a todos, sábios ou ignorantes, instruídos ou analfabetos.
2ª LEITURA — 1ª CARTA CORÍNTIOS 12
Para mostrar aos coríntios que os dons do Espírito não devem conduzir à competição e à rivalidade, e sim à unidade, Paulo introduz uma comparação muito conhecida na antiguidade. Diz: a comunidade é como o corpo do homem; é composta de muitos membros e cada um tem sua respectiva função.
Os membros de uma comunidade devem comportar-se da mesma forma: cada um deve cumprir a sua função, isto é, o serviço para o bem dos irmãos. Quando entram a competição, o ciúme, a inveja, o organismo inteiro da comunidade sofre as consequências e pode até se desintegrar. Antes de tudo não são alguns membros da comunidade que são proclamados superiores aos outros, mas os serviços que desenvolvem é que são colocados em maior destaque. Não há dúvida que o ministério da Palavra ocupa o primeiro lugar, por que a fé e a vida da comunidade nascem e são nutridas pela Palavra.
EVANGELHO — LUCAS 1
Jesus realiza plenamente as Escrituras, anunciando a Boa Nova aos pobres, a liberdade aos que se encontram aprisionados, a vista aos que não enxergam, a libertação aos oprimidos. Assim ele cumpre o ano da graça do Senhor, proclamando a salvação integral do ser humano, ou seja, a libertação de todas as formas de opressão. O olhar fixo nas palavras e nas ações de Jesus, nos leva a centrar as forças no serviço ao reino da vida.
A palavra de Deus é sempre atual, pois fala da vida e da história do ser humano, interpelando-o a gesto de amor fraterno e de partilha. Fortalece a fé e a esperança para que todos sejam “Teófilo”, isto é, amigos de Deus. Ela deve ressoar em nossa vida e missão, conduzindo-nos a uma prática libertadora integral, conforme a boa notícia trazida por Jesus de Nazaré. Recebemos dons do espírito para realizarmos nosso compromisso batismal a serviço do reino. Como membros do corpo de Cristo, somos impelidos a colaborar para a realização do amor e da justiça. Formamos uma comunidade fraterna, chamada a continuar a missão de Jesus. Que possamos ser instrumentos de libertação, participando das alegrias e dos sofrimentos uns dos outros, tendo um cuidado especial com os membros do corpo mais necessitados.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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