Madrid Fusion: o jeitinho mineiro na Europa


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Chefs de Minas ‘levaram’ o Brasil a evento gastrônomico mais importante do ano
Chefs de Minas ‘levaram’ o Brasil a evento gastrônomico mais importante do ano

O que será que pode unir a saborosa e reconfortante comida mineira à inventiva e chique culinária madrilenha? O Madrid Fusion 2013 é que sabe. Considerado o mais importante evento gastronômico do ano, por ser o mais criativo, recebeu na cidade de Madri, na Espanha, 15 chefs de cozinha exclusivos de Minas Gerais.

É a primeira vez que um Estado é chamado a representar todo um País. Será um País inteiro a ser reconhecido pelo simpático “uai”.

O mote do evento deste ano foi: “La criatividad continúa”. Alguns críticos da área bem viram nesse slogan quase que um alerta diante da saída de cena do grande ícone da gastronomia mundial, o catalão Ferran Adrià.

É quase como dizer que a criatividade espanhola não se resumia a ele, nem estava demarcada pela bancada desse grande chef: fica dado o recado.

Aliás, é bom que se diga que, embora, surpreendentemente, o restaurante El Buli tenha fechado suas portas no ano passado, as criações desse grande chef podem ser apreciadas em Barcelona, no bar 41 Grados.

E aí, tanta jovialidade e inventividade se juntou ao pão de queijo, ao cafezinho coado, às compotas, ao torresmo... É que ano passado, até comentei aqui com vocês, no evento gastronômico de Tiradentes, os organizadores do Madrid Fusion foram convidados a participar e aceitaram o convite, daí foi um pulo para a Embratur encampar a ideia e comprar as cotas de patrocínio para que Minas estivesse por lá este ano.

Digo Minas, por questões meramente territorialistas, coisa de mapa mesmo, porque Franca esteve por lá, definitivamente. Nossa culinária, aqui nas franjas mineiras, é tradicionalmente caipira e os ingredientes que adotamos são velhos conhecidos dos nossos ancestrais.

Interessante destacar como uma culinária tão tradicional como a mineira esteve encabeçando um evento cuja criatividade é o lema: é o vetusto a embriagar de frescor aquele que não o conhece - simples, para nós é de casa, para eles se torna uma grande novidade.

Realmente Minas Gerais tem catapultado em seu favor as delícias do Brasil colonial, como se só por lá as comessem. Nós por aqui, paulistas, que também deixamos o bicho se criar solto no milho, perdemos a possibilidade de qualquer autoria de pratos que também nós criamos. Afinal, a nossa origem culinária ou é indígena ou irrompeu junto aos Bandeirantes que antes passaram em terras daqui. Paciência.

Mas Minas está correndo lá na frente, sobretudo porque o Estado decidiu investir dinheiro, desde meados de 1970, para que a culinária mineira se imiscua de tal forma ao jeito mineiro que um não exista sem o outro, coisa de identidade. E funciona.

A socióloga Mônica Abdala estuda a sério esse jeitinho mineiro, que data no mínimo desde o século XIX. Segundo ela, encontram-se nos relatos de alguns viajantes estrangeiros a hospitalidade associada ao hábito de servir alimentos como característica dos habitantes das Minas Gerais, diferenciados dos modos dos habitantes de outras províncias.

É tudo isso e muito mais que os mineiros mostraram ao mundo da culinária. Descreveram para aqueles chefs chiquérrimos como nós vivemos por aqui. Contaram histórias de Jeca Tatu, de rabo de fogão à lenha, de paredes crispadas de fumaça preta, de galinha solta no quintal, de meninos correndo por ladeiras, de tabuleiros de doces, de pastéis fritos na hora...

Se por lá alguém suspirou eu não sei, sei de nós, e de tantas saudades que sentimos e da boa mesa que agora corre solta mundo a fora.

Na edição de 2013 do Madrid Fusion, o jeitinho mineiro garantiu presença em terras europeias.


DICA DA SEMANA

Encontrei no blog de cozinha de Ana Elisa Granziera uma explicação bem confiável acerca das várias denominações do creme de leite. Há bem pouco tempo nos contentávamos com o creme de leite da latinha Nestlé, capaz de abarcar todo rol de nossas receitas. Agora não, apareceram tantos nomes que é fácil se perder. Na Europa e nos EUA é fácil porque há para venda todos eles prontos, para cada teor de gordura, um nome. Vamos começar pelo mais simples, o creme de leite.

Tanto o de latinha como o de caixinha costumam ter 25% de gordura, pouco para fazer chantily, não adianta bater na batedeira. Mas, se seu intuito é fazer um ganache (calda de chocolate), molho ou pudim, é ótimo. Eles têm soro (água amarelada que se separa da gordura) e, se a receita pede creme de leite, deve-se utilizar tudo bem misturado. Se a receita disser que é para tirar o soro, aí sim se retira. Basta deixar o creme bem gelado e descansando por 40 minutos. Daí faça dois furos na lata e o que escorrer é soro.

E, caso esteja de posse de alguma receita internacional, podemos usar o creme de leite todas as vezes que houver as denominações: cream, single cream (inglês) crème liquide (francês) panna (italiano) natas (português de Portugal).

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