Até breve, Atari


| Tempo de leitura: 3 min
Primeira grande potência dos games entra com pedido de falência.
Primeira grande potência dos games entra com pedido de falência.

Aqui no Se Liga nós já cansamos de falar sobre a necessidade de adaptação que as empresas que trabalham com tecnologia precisam ter se quiserem sobreviver nesse meio em constante e de ininterrupta mutação. Mesmo aquelas companhias que largaram na frente não conseguem reinar apenas com seu “nome”. Novidades precisam chegar ao mercado e agradar os consumidores, que estão cada vez mais exigentes e, graças à internet (criação deles), sabem quando tal produto é realmente bom ou quando é realmente uma droga, independentemente da marca que o fabrica.

Infelizmente, mais uma das gigantes do ramo está sofrendo as consequências de anos de má administração e displicência que conseguiram estragar um nome lendário, que sempre impôs respeito e admiração nos amantes do video-game. Para aqueles que ainda não sabem, no início da semana passada, a Atari entrou com pedido de falência nos Estados Unidos. À primeira vista, isso pode parecer ruim, mas, como diria um “profeta” brasileiro, pior do que tá não fica. Entenda melhor toda essa história.

O pedido de falência, feito em um tribunal de Nova York, na noite do domingo passado, tem como objetivo separar a Atari Inc. da Atari S/A. Não entendeu? Então senta que lá vem história. A Atari Inc. é a lendária criadora de games e consoles que marcaram os anos 1980, como Pong e Asteroids, por exemplo. Porém, em 1999, a empresa foi vendida para a empresa francesa Infrogames, que criou a Atari S/A. O pedido foi o primeiro passo para a filial “original” se separar da matriz francesa e se especializar em jogos para telefones celulares, segundo um comunicado divulgado à imprensa. A falência “constitui a opção mais estratégica para as operações da Atari nos EUA, cujas possibilidades de gerar lucro não se cumpriram sob o controle da Atari S/A”. Agora é esperar pra ver como essa separação acontecerá - caso realmente aconteça - e torcer para que a fome de inovação e a criatividade aguçada voltem a fazer parte da história dessa empresa.

RISE AND FALL
Tudo começou há mais de 40 anos, mais precisamente no dia 27 de junho de 1972. Foi nesse fatídico dia que Nolan Bushnell e Ted Dabney fundaram a Atari Incorporated. Esse nome foi escolhido depois que a primeira escolha - Syzygy- não estava disponível.

Em novembro do mesmo ano, 12 fliperamas do Pong foram espalhadas pela Califórnia. Atualmente essas máquinas são itens raros e, portanto, caríssimos. Três anos depois, a empresa criou o primeiro videogame caseiro da história, o Home Pong. E foi uma estreia daquelas, já que o console vendeu cerca de 200 mil unidades.

Ninguém menos que Steve Jobs foi o responsável pelo próximo game da Atari, em 1976. O então futuro cofundador da Apple foi uma peça chave para criar o Breakout, um jogo de gráficos avançados para a época, mas que usava os mesmos processadores do Pong. Mas foi no ano seguinte que a coisa ficou séria mesmo e tudo foi graças ao Atari 2600, que vendeu cerca de 30 milhões de unidades e só parou de ser fabricado em 1992. Outros dois games que merecem destaque, dentre dos mais de 400 títulos lançados pela empresa, são Asteroidds e Space Invaders, ambos de 1979. Depois disso a empresa vivia de consoles que continham seus clássicos, mas foi perdendo espaço para a Sony e, principalmente, para a Nintendo.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários