A notícia sobre a decisão do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) de instalar defensas metálicas nas margens do córrego dos Bagres foi recebida com desconfiança pelo empresário Jairo Manuel da Silveira, 48 - um dos principais defensores da obra. Ele é pai da estudante Mayellen Eduarda Silveira, morta aos 21 anos em 27 de janeiro do ano passado, após perder o controle de seu carro, quando seguia pela avenida Antônio Barbosa Filho -extensão da Hélio Palermo. Jairo e sua mulher chegaram a organizar uma campanha para pedir que a Prefeitura instalasse a proteção nas margens dos córregos. “Fizemos uma pequena pressão, mas logo esfriou. Não adianta dizer que é solidário com a situação, porque só quem sofre de verdade são o pai e a mãe.”
Chovia forte no momento da tragédia. O Corolla que Mayellen dirigia rodou algumas vezes na pista até cair dentro do córrego dos Bagres. O corpo da jovem foi arrastado pela correnteza até ser encontrado, 54 horas depois, a 2,5 quilômetros do local do acidente. O laudo da autopsia apontou morte por traumatismo craniano.
“Saber que a Prefeitura irá cercar os córregos me conforta. Penso que seria uma homenagem à memória dela [Mayellen]. Mas tem que ver se vai sair, né? Enquanto não estiver instalado, eu não acredito”, disse o pai.
MORTEs EM JUNHO
Cinco meses depois da morte de Mayellen, outra tragédia matou mais uma jovem e seu avô. Desta vez, no córrego Cubatão, na avenida Alonso y Alonso. Sara Dominciano Pereira, 15, e o pedreiro Adelino Dominciano, 78, que dirigia o carro, morreram após o idoso perder o controle do veículo, quando descia a rua Marechal Deodoro, e cair no córrego cheio. Os dois estavam acompanhados de Maria de Lourdes Bruno Dominciano, 72, e Willian Dominciano Moreira, 26.
Willian e Maria foram resgatados no dia do acidente, já o aposentado foi arrastado pela enxurrada, sendo retirado 20 metros abaixo da cachoeira da Alonso y Alonso. Ele chegou a ser socorrido para a Santa Casa, mas morreu minutos depois. A garota ficou por cinco dias desaparecida e foi localizada a cerca de 800 metros da rotatória do posto Galo Branco, no mesmo poço onde foi encontrado o corpo de Mayellen.
Em memória a um ano de falecimento, a família de Mayellen programou uma missa na Igreja Nossa Senhora das Graças, para amanhã.
MORTE EM 2013
Há 20 dias, outra morte foi registrada no córrego dos Bagres, mas desta vez nenhum veículo envolvido. O garoto Vinícius Souza da Silva, 9, jogava futebol com alguns amigos em um campo próximo à Hélio Palermo, quando a bola saiu do campo e foi em direção à avenida. Vinícius e outro garoto foram buscar a bola e ele caiu na água.
Havia chovido minutos antes e a correnteza estava forte. O garoto foi arrastado e resgatado pelos bombeiros, que ainda conseguiram encontrá-lo com vida. Eles fizeram várias manobras para tentar salvá-lo, mas o menino morreu a caminho do hospital.
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