Suicídio


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Pergunta-nos estimada leitora como o Espiritismo analisa a brutal autodestruição que se vê nos casos dos chamados ‘homens-bomba’. Respondendo, cumpre afirmar, com todas as letras, que a Doutrina Espírita é radicalmente contra qualquer forma de suicídio.

Por ensinar que a vida continua após a morte e que toda atitude humana contrária à Lei de Deus provoca indeléveis marcas conscienciais, o Espiritismo, ao evidenciar-nos, no quanto nos é possível entender, os desígnios das Leis Divinas, convence-nos de que jamais deve o homem matar-se, quaisquer que sejam os motivos.

Faz-nos luz ao entendimento de que o suicídio não resolve problema algum, agravando, pelo contrário, o sofrimento de quem o pratica.

Só se suicida quem é materialista, porquanto o espiritualista sabe que a vida continua e, se praticou uma infração moral, haverá de punir-se conforme o grau de consciência que tem do ato cometido.

Sabe também que todos podemos, mediante reformulação da nossa conduta, acreditando em Deus, abrindo o coração para o perdão incondicional, dedicando-nos à causa do bem material e moral, harmonizar o ambiente em que nos inserimos, fazendo diluir as causas do desespero.

Assim, se nos convencemos de que o suicídio não é uma saída, mas grave complicador dos nossos problemas, acatemos o aconselhamento da Doutrina, adotando postura solidária e fraterna, somada à inabalável confiança na Justiça Divina.

Firmemo-nos na oração, espiritualizemos a nossa leitura, procuremos boas companhias, libertemo-nos das situações que nos oprimem.

Agora, que nos assistem noções espiritualistas, sabemos que, quando alimentamos ideias de suicídio, por força de um princípio implacável, denominado sintonia vibratória, uma legião de espíritos inferiores se nos ligam ao psiquismo, influenciando-nos no mau sentido. Aí a razão de mudarmos a nossa sintonia mental, evangelizando a nossa conduta.

Jamais, porém, devemos nos esquecer de que a Justiça e a Misericórdia divinas estão sempre presentes em todos os nossos atos.

Porquanto, a autopunição por uma infração cometida, dar-se-nos-á sempre na justa medida do grau de consciência que temos da gravidade do cometimento.

Por isso, é evidente que tem atenuantes o suicídio praticado por uma convicção, por um ideal, ou por imposição hierárquica, cumprindo-nos considerar que, nos casos em que o suicida cumpre ordens, estará presente a denominada cumplicidade moral, envolvendo a quantos estejam implicados na decisão criminosa.

Allan Kardec, sob a luz dos mentores espirituais da Codificação do Espiritismo, estudou o suicídio em todas as suas variáveis, nas questões número 943 a 957 de O Livro dos Espíritos, assim como, posteriormente, no livro O Céu e o Inferno, apresentando, inclusive, testemunhos de espíritos suicidas, ao que dedicou um capítulo inteiro a analisar nove casos com as respectivas consequências no plano espiritual.

Convença-se de que ideia de suicídio e Evangelho de Jesus são incompatíveis entre si.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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