Semana passada, inseri aqui um espaço em branco, e desafiei meus leitores
Descrevam-me coisas simples que, no nosso dia a dia estamos deixando de praticar. Fiquei surpreso. Recebi muitos contatos por e-mail, telefone e pessoalmente – e ainda continua. Como prometi, começo hoje uma súmula das mensagens que recebi. E, voltarei ao assunto.
“Cumprimento-o, Luiz Neto, pelo oportuno texto’. A vida moderna, em sua pressa e relações cada dia mais superficiais e efêmeras, serve de justificativa para que se abandone bons hábitos. Quero falar sobre ‘o jeito jovem de ver o mundo e as regras de conduta sociais’. Conto: ‘Dias destes, ao me aprontar prá sair de casa, notei que jovem de 14 anos que nos visitava, me olhava com ar de deboche. Revisei meu figurino, a camisa bem passada, sapato brilhando, cabelos penteados. Como ainda me observava com desdém, resolvi inquiri-lo, sem ser grosso: ‘Está me achando engraçado, vestido assim?’. Respondeu com a franqueza ácida dos adolescentes: ‘Tá parecendo veado!’ E riu-se. Devolvi: ‘Por que pareço veado?’. Outra resposta direta e sarcástica: ‘Tá usando cinto!’. Surpreso, contrapus: ‘Ah, então, quem usa cinto é bicha, é?’. Ele usava uma bermuda folgada, mostrando, orgulhoso, a metade da cueca que lhe cobria as nádegas. ‘É sim. Cinto é coisa de veado, gayzão (sic)’. Apontei seu traje e resolvi ser sarcástico também: ‘E usar bermuda ou calça assim, com a cueca aparecendo é coisa de macho?!’. E ele: ‘Opa! As mina pira!’” (...).
Ronaldo Pereira da Silva, comerciário
“Olá, Luiz. Mais uma vez deliciei-me com sua coluna, mas desta vez deixo um pouco a preguiça de lado para manifestar-me. Talvez seja pelo fato de meu mais recente trabalho – o CD ‘MCB -Música Cidadã Brasileira – abordar temas que você citou. Envio-lhe a letra da música ‘Coitado, ele é mal educado’ (está em nota desta coluna) que contém muito do que você expôs, e coisinhas além. Acompanho-o. Você tem algo a dizer e isso é bom. (...).”
Paulo Gimenes, escritor e músico
‘Parabéns pela aula de etiqueta. (...) Acrescento à lista que você publicou: Respeitar fila de idoso em supermercado, respeitar vaga de idoso e cadeirante em estacionamentos (não dá mais para aguentar o ‘é só um minutinho, já vou sair’), não passar trote na polícia, corpo de bombeiros, Samu.”
Maria Regina Franz di Maio, dona de casa
COITADO, ELE É MAL EDUCADO
“Não dá bom dia, nem sorri para ninguém/ É orgulhoso, trata os outros com desdém/ Não agradece, está sempre emburrado/ Coitado, ele é mal educado // (Refrão) Mal educado, mal educado/ Coitado, ele é mal educado // É egoísta, só faz o que lhe convém/ Se tem recado não retorna pra ninguém/ Aumenta o som sem dó de quem tá do lado/ Coitado, ele é mal educado // Indiferente não respeita um idoso/ Só quer vantagem e se acha o gostoso/ Se tá por cima pisa em quem tá por baixo/ Coitado, ele é mal educado // Se alguém precisa não estende sua mão/ Se tá na rua joga seu lixo no chão/ Não dá lugar em um ônibus lotado/ Coitado, ele é mal educado”.
PRACUCH
Conversei esta semana com Zdenek Pracuch, nosso colunista ‘sapateiro internacional’ que enfrenta, com sua franqueza peculiar e voz positiva, tratamento de câncer. Semana que vem se interna e faz nova cirurgia. Está beníssimo de cabeça e de confiança. Continua escrevendo e me enviando suas esperadas colunas. Combinamos: virá a Franca em aproximadamente um mês para buscar comigo, e pessoalmente, livro sobre o Centenário da Francana que lhe reservamos e o filme ‘Fernão Capelo Gaivota’, com o qual quero convencê-lo que dá, sim, para tornar livro maravilhoso em cinema de qualidade, mesmo que ele não acredite.
PERDAS
Esta semana, nas páginas deste Comércio, duas mortes sobre as quais quero falar.
Luzia Elza Garcia Maniglia foi, até a aposentadoria, inspetora de alunos na Escola de Educação Estadual ‘Torquato Caleiro’. Participou do grupo de pessoas que, comigo, deu vida ao CVV – Centro de Valorização da Vida. Atuou na entidade como plantonista. Tive a honra de conviver com ela na escola pública e, depois de muitos anos, como companheira de grupo na implantação da entidade que ela considerava como ‘escola de vida, por reincentivar a capacidade de ouvir pessoas sem contestá-las’. Pêsames à sua família.
Frei Candinho nasceu Cândido Braz Cintra em Pedregulho (SP) . Foi ordenado padre em Franca, em 1952. Durante a ditadura militar, suas abordagens sociais para as mensagens evangélicas, faladas sem medo, fizeram com que os Agostinianos Recoletos tivessem que escondê-lo, para que não fosse preso. Certa ocasião, após celebrar na Igreja São José, de Ribeirão Preto, encontrou, dia seguinte, as paredes do templo pixadas com ‘esse padre é comunista’. Arranjou tinta e, calmamente, repintou. Escritor, tpublicou artigos neste Comércio por anos. Selecionou vários e, publicou dois livros – Edições Loyola –, Evangelizar hoje I (a família, a escola, a criança, o jovem e o leigo) e Evangelizar hoje II (as estruturas, a sociedade e a política). Foi pároco da igreja da Igreja de Nossa Senhora das Graças. Abriu as portas da paróquia para o início do Cenáculo Imaculado Coração de Maria. A obra só saiu de lá quando passou a receber mais de mil pessoas. Acometido por Alzheimer detectado em 1982, celebrou até 2011 mesmo que em cadeira de rodas. Foi então, para a Casa do Idoso da ordem, em Ribeirão Preto. Morreu dia 20 e foi sepultado no túmulo dos Agostinianos Recoletos do Cemitério da Saudade daquela cidade. (Agradeço a Frei Ditinho pelas informações importantes que me ofereceu para este registro).
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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