Pespontador ainda envia cartas


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Foi graças a um pedido de música enviado para o apresentador Valdes Rodrigues, da rádio Difusora, que a equipe do Comércio conseguiu encontrar Valter Aparecido Rigoni, 48, morador do Luiza I. Ele, que é proprietário de uma banca de pesponto, se mantém avesso às novas tecnologias e só usa cartas escritas à mão para se comunicar por escrito.

“Até fiz um curso [de computação], mas nem gosto de pegar no mouse”, afirmou. “Sou do tempo em que todo mundo comprava lápis coloridos só para pintar as cartas e escrever coisas em várias cores diferentes. Todo mundo fazia isso e me lembro que todo mundo gostava muito de escrever, mas, principalmente, de receber cartas.”

Apesar de ainda contribuir para a sobrevivência dessa tradição, Valter confirmou que há muito tempo não recebe nenhuma carta nos padrões antigos. Só contas e avisos chegam pelos Correios atualmente. “Ninguém mais tem esse hábito. Todo mundo só usa computador. É uma pena. Eu ficava muito feliz quando recebia alguma carta das mocinhas”, brincou. “Mas eu ainda mando carta para elas! Adoro escrever letras de músicas e algum verso bonito que ouço por aí.”

Apesar de muita insistência, Valter não quis responder se suas investidas por escrito ainda funcionam.

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