Os depoimentos de três crianças, com idades entre 8 e 9 anos, levaram para a cadeia um motorista de 43 anos, residente no Jardim Santa Efigênia. Ele foi autuado em flagrante por estupro de vulnerável, após ser acusado de abusar sexualmente de duas meninas e pagar pelo “silêncio” de um garotinho de 8 anos, que testemunhava a violência. Os abusos estariam ocorrendo há pelo menos 10 dias, próximo a uma mata do bairro.
A polícia tomou conhecimento do fato por volta das 23 horas de terça-feira. Uma ligação para o telefone 190 do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) informava que havia uma briga generalizada no Santa Efigênia. PMs se deslocaram para o local e se depararam com várias pessoas tentando agredir o motorista.
“Algumas pessoas foram até minha casa, falando que eu teria mandado crianças abrirem as pernas e dado dinheiro para elas. Eu vi essas crianças porque meu carro quebrou próximo da casa delas e elas foram ver o que eu estava fazendo. Eu não fiz nada com elas e não dei dinheiro para ninguém”, disse o acusado, logo após chegar ao Plantão Policial e antes de saber da prisão.
Diante da confusão, o delegado Djalma Donizete Batista, que respondia pelo Plantão, começou a ouvir as partes envolvidas. Os pais das crianças foram os primeiros. A mãe de uma das meninas disse que, há alguns dias, o motorista parava no final da rua, próximo a uma mata, alegando que estaria com problemas no veículo.
“O carro dele sempre quebrava no mesmo local. Eu vi minha filha uma vez perto do carro, e pedi para que não se aproximasse mais dele, porque achava as atitudes desse sujeito estranhas”, relatou uma dona de casa. Na terça-feira à tarde, declarou a mulher, o carro do suspeito voltou a “quebrar” e sua filha desobedeceu suas ordens e se aproximou dele. “Quando ela chegou em casa, perguntei o que tinha acontecido, e ela me disse que ele mandou abrir as pernas, passou as mãos nela e na amiguinha. Depois deu dinheiro para as duas e um amiguinho da mesma idade”, revelou a mãe.
A mulher procurou os pais das outras duas crianças e elas contaram a mesma história. Revoltados, parentes e amigos das vítimas estiveram na casa do acusado, procurando “fazer Justiça com as próprias mãos”. No entanto, com a intervenção de PMs, o motorista escapou das agressões.
No Plantão, diante dos depoimentos das crianças, o delegado Djalma Batista não teve dúvidas em autuar o motorista em flagrante por estupro de vulnerável.
“A consistência e firmeza com que as crianças relataram os fatos ocorridos, os detalhes repetidos por cada uma delas em depoimentos separados e o testemunho de pessoas que presenciaram o indiciado parado vários vezes no mesmo local foram elementos suficientes para caracterizar o crime”, explicou o delegado.
As peças do flagrante foram encaminhadas à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), que deve abrir hoje inquérito para apurar, mais detalhadamente, todas as acusações.
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