No final de 2012, em sua última entrevista como prefeito, Sidnei Rocha disse que um de seus maiores orgulhos era o recapeamento feito em boa parte da cidade, o que a teria deixado mais bonita, limpa e transitável. Obviamente, nem todo o francano deve ter concordado com essa preferência do prefeito, o que é muito natural, já que as prioridades de investimentos, obras e reformas não são iguais para todos. De qualquer forma, não há como tirar os méritos dessa iniciativa, já que em um mundo dominado pelo transporte automotivo o mínimo que se pode esperar é que as vias públicas estejam em boas condições de trânsito, evitando acidentes e gastos excessivos motivados pelas repetidas quebras de veículos.
No entanto, mal começou 2013 e os buracos já vieram cobrar seu espaço nas vias públicas francanas e nos noticiários locais. Impulsionados pelas já conhecidas chuvas de verão, as mesmas que anualmente repetem vários estragos não apenas em Franca, mas em boa parte do país, rapidamente os buracos se espalharam pela cidade, enchendo as páginas dos jornais e arrefecendo um pouco o orgulho do ex-prefeito.
Mas a reação do atual prefeito foi rápida. Talvez por representar a continuidade em relação à administração anterior, Alexandre Ferreira não demorou em criar uma estratégia para atenuar o problema nesse primeiro momento das chuvas: criou o ‘disque-buracos’. A partir de quinta-feira passada, 17/01, a população francana ganhou um número de telefone para ‘delatar’ os buracos que se aproveitam do excesso de água para crescer intensa e rapidamente pela cidade.
Como era de se esperar, inclusive pela própria Prefeitura, logo nos primeiros dias houve uma enxurrada de telefonemas para o serviço de tapa-buraco, conforme noticiado por este Comércio no sábado, 19/01. Em apenas 1 dia e meio o sistema registrou mais de 150 ligações, o que significa, em média, uma ligação a cada cinco minutos.
Essa reação, obviamente, mostra que a idéia foi boa, pelo menos enquanto paliativo até que as chuvas se acalmem, a despeito do trabalho que a Prefeitura terá para atender aos chamados que se estenderão por todo esse verão, não apenas pela limitação de funcionários, mas também pelo fato de que muitos buracos hoje tampados poderão voltar a abrir suas valas sob a ação das chuvas mais intensas que ainda cairão sobre a cidade.
Mas o que sobra de tudo isso é a certeza de que as ruas de Franca não estão sendo planejadas e construídas como deveriam. Por mais que sejam necessárias, ações como as de recapeamento ou tapa-buracos deveriam ser exceções, pois são sempre paliativas e efêmeras em termos de resultados. Funcionam apenas enquanto as chuvas não chegam para cobrar os erros cometidos nas implantações de bairros e nas construções de ruas e avenidas.
No fundo, precisamos de vias bem construídas e um ótimo escoamento de águas pluviais.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.