Durante os últimos quatro anos, vários foram os momentos em que esse espaço foi utilizado para criticar a atitude dos vereadores francanos. Não faltaram gafes, desencontros, conchavos e tentativas de legislar em causa própria, o que obviamente esquentou a discussão na cidade e acabou causando muita decepção em boa parte da população francana.
De forma geral, é possível dizer que a legislatura anterior deixou a Câmara pela porta dos fundos, a despeito de alguns vereadores terem conseguido se reeleger e se garantir por mais quatro anos. A atual, no entanto, parece disposta a sair pela mesma porta por onde entrou, pelo menos a julgar pelo primeiro teste que lhe foi imposto, o de decidir sobre a dívida dos cartórios.
Com espírito renovado, a nova Câmara deu sinais de que muita coisa irá mudar daqui para frente e até mesmos os vereadores mais antigos parecem ter entendido o recado. Por unanimidade, o perdão da dívida foi rejeitado, algo que apesar de ser o mais justo e o mais esperado pela população, ainda não era totalmente certo, pois pairava no ar a dúvida de como seria o comportamento desses novos vereadores.
Mas, para a cidade, felizmente, os parlamentares corresponderam de forma assertiva. E não deveria ser diferente, pois quem já precisou utilizar os serviços de um cartório sabe muito bem que os preços são bastante salgados, desde uma simples autenticação até uma mais complexa escritura. Além disso, para o cidadão comum, que paga seus impostos com enormes dificuldades, é difícil aceitar essa situação. Se eles são obrigados a pagar as inúmeras siglas que se apresentam mensalmente diante de seus holerites, ficando passíveis de punição caso não o façam, porque seria diferente com os donos de cartórios, que supostamente teriam até mais recursos para arcar com seus compromissos?
Mesmo que se considere a ação movida na Justiça, que suspendeu o pagamento das parcelas anteriormente acertadas, como também a alegação de que essa cobrança seria ilegal, a pergunta não deixa de ter sua razão, sobretudo se a analisarmos sob o ponto de vista de uma pretensa justiça fiscal, na qual fosse possível alcançar um maior equilíbrio entre o volume de impostos e a condição socioeconômica das pessoas sobre as quais eles incidem.
De qualquer maneira, e a despeito de quem tenha razão, a Câmara nunca deveria ter entrado nesse assunto. A dívida, justa ou injusta, é uma questão de política fiscal e tributária. Aliviar para os cartórios antes da decisão do Judiciário passaria a ser uma questão quase religiosa, ou no mínimo de compadrio, pois geralmente perdão está ligado ao pecado e não a impostos.
Fez bem a Câmara em negar o perdão. Afinal, ali não é igreja, mas um poder da República. E vamos torcer para que continue assim.
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