Músico sertanejo que vivia no ‘esqueleto’ ganha casa e fãs


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Paulo Donizete Gonçalves ensaia com o parceiro Gabriel Aguiar na fazenda em que mora no Jardim Paulistano
Paulo Donizete Gonçalves ensaia com o parceiro Gabriel Aguiar na fazenda em que mora no Jardim Paulistano

Muita coisa mudou para o músico Paulo Donizete Gonçalves, 55, desde que se mudou do prédio apelidado de “esqueleto”, localizado em frente à antiga Unimed, no bairro São José. Há seis meses o administrador do prédio informou ao então serralheiro que o subsolo do edifício não poderia mais lhe servir de moradia. Explica-se: o músico e sua família viviam alojados em uma residência improvisada abaixo da construção. O local contava com água tratada e sistema de esgoto, mas não era o ideal.

“Sofria muito preconceito. Às vezes, eu comprava alguma coisa para comer e o entregador não levava com medo de ser roubado. Isso sem falar na vergonha de dizer que morava no esqueleto.”

No momento de maior dificuldade, sem dinheiro e onde morar, foi seu talento que lhe salvou. Um fazendeiro da cidade, grande admirador do trabalho do músico, ofereceu-lhe uma casa ampla e confortável, localizada em uma fazenda de 26 alqueires, no bairro Jardim Paulistano. O músico aceitou na hora. “Paz é a coisa mais importante do mundo. Aqui tem água boa [retirada de uma mina dentro da propriedade], pomar e plantação. Engordei 5 quilos desde que vim morar aqui”, disse o músico que prefere ser chamado pelo nome artístico, Paulo Ramalho, uma homenagem ao cantor nordestino Zé Ramalho.

Apesar do nome parecido, o estilo musical é bem diferente. Paulo toca violão e faz segunda voz em uma dupla sertaneja formada há seis anos com o sapateiro Gabriel Aguiar, 38, morador da Vila São Sebastião. Paulo lembra os tempos de vacas magras sem saudades. “Sou muito grato pelos 11 anos que morei no esqueleto, mas agora a situação mudou muito.” Mudou sim e para melhor.

O fazendeiro que lhe deu a casa também trabalha como empresário da dupla agendando shows e participação em eventos. Os convites são tantos que Paulo abandonou seu antigo ofício de serralheiro para se dedicar exclusivamente à música. “Meu filho fez idade [completou 18 anos], então ensinei a ele o trabalho e fiquei só com a música mesmo. É isso que eu gosto de fazer.”

O parceiro Gabriel explica que a maioria dos convites para shows é de cidades mineiras próximas a Franca. Na cidade, a concorrência é muito grande e o tratamento dispensado aos músicos amadores é bem inferior.

SONHO
Gabriel lembra um momento marcante da dupla registrado na Festa do Peão de Itirapuã (SP), quando eles foram contratados para abrir o show da dupla Mato Grosso e Mathias. A festa aconteceu há três anos, mas ainda emociona os dois artistas. “Olhamos aquele palco todo equipado, com luzes e tudo mais. Eram mais de duas mil pessoas olhando para gente. Naquela hora, vou confessar, minha perna deu uma bambeada”, afirmou Gabriel.

Apesar da realização de um sonho - tocar no mesmo palco de uma dupla conhecida em todo o país -, as coisas não saíram exatamente como eles planejaram. “Tivemos que nos esgoelar para o público poder nos ouvir. Os técnicos de som desligaram os alto falantes e tivemos que tocar só com o retorno [sistema de som usado em grandes apresentações musicais que serve para os músicos ouvirem suas próprias vozes ou instrumentos].”Eles reconhecem que não ficou bom e poucas pessoas aplaudiram a dupla ao final da apresentação. Mas o otimista Paulo tratou de reanimar o parceiro. “Disse para ele que era melhor seis ou sete aplaudindo, do que aquele mundo de gente vaiando.”

Os dois acreditam que falta pouco para emplacar um sucesso. Eles já gravaram um CD que inclui grandes sucessos da música caipira, além de cinco músicas de autoria própria. Enquanto o sucesso não chega, Paulo comemora a mudança de vida e confia no talento que Deus lhe deu. “Tem que acreditar sempre!

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