Francano disputa Copa do Mundo de Polo pela seleção


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O francano Gustavo Ribeiro Garcia, de 29 anos, treina polo na Hípica; apesar de ser formado em direito pela Unifran, Gustavo vive exclusivamente do esporte
O francano Gustavo Ribeiro Garcia, de 29 anos, treina polo na Hípica; apesar de ser formado em direito pela Unifran, Gustavo vive exclusivamente do esporte

Nem basquete, nem futebol. O esporte que o francano Gustavo Ribeiro Garcia pratica não é popular em Franca, mas isto não o impede de movimentar milhões de reais e muito menos o priva de grandes emoções, glórias e fracassos, assim como todos os outros esportes. Foi esse mundo luxuoso e meio desconhecido que seduziu “GG”, como Gustavo é conhecido.

Em cinco anos de carreira, ele já figura entre os principais nomes da modalidade no cenário brasileiro. Aos 29 anos, Gustavo defende, a partir desta semana, a seleção brasileira na Copa do Mundo de Polo na Neve, competição organizada pela Federação Internacional de Polo e sediada em Tianjin, cidade localizada a 138 km da capital chinesa Pequim.

A abertura da competição acontece no dia 25 deste mês, porém Gustavo e os outros dois membros do time brasileiro, Pedro Zacharias e Calão Mello, já embarcaram em um avião que saiu de São Paulo e chega à China neste domingo. Cada um dos três atletas pôde levar um acompanhante.

GG levou Andressa, sua namorada há três anos. “Precisa, não é? Pra aguentar o frio!”, brincou. E é justamente o frio que mais preocupa o francano. “Não temo os times, o avião e não tenho medo de jogar na neve. Tenho medo é do frio! Parece que lá está batendo nos 20ºC negativos!”

Serão 12 equipes divididas em quatro grupos. O Brasil está no Grupo B e faz sua estreia nesta sexta-feira. O primeiro oponente será ninguém menos que Hong Kong (região administrativa especial da China), atual campeã do torneio. “Já começa com uma ‘pedreira’, mas nós vamos pra cima. Vamos para ganhar!”, disse Gabriel. A terceira seleção do grupo é o Chile. Os dois melhores times de cada grupo avançam para as quartas-de-final, decididas em duelo único. O campeão será conhecido no dia 3 de fevereiro. Além da glória, outra coisa motiva os jogadores. “As quatro melhores equipes ganham um prêmio de US$ 500 mil. Claro que o troféu é importante, mas o dinheiro também é”.

INDAIATUBA
Gustavo vive hoje em Indaiatuba, cidade vizinha de Campinas considerada a “capital do polo”. Sua família ainda mora em Franca, em um condomínio fechado próximo à Vila Hípica. A proximidade com o local e o apoio da família foram fundamentais para alimentar sua paixão pelo esporte. “Conheci o esporte com meus primos e, aos 12 anos, minha mãe me deu a primeira égua. Aí comecei a taquear e jogar na Vila Hípica, fiz amizades e aí pronto. Quando percebi, estava completamente envolvido pelo esporte”, disse GG.

Atualmente, ele vive exclusivamente do polo, apesar de ser formado em direito pela Unifran. “Nunca advoguei, não quero advogar e não vou advogar!”, brincou. “O engraçado é que meu primeiro contrato profissional foi acertado antes da festa da formatura, no final de 2008. O dono do clube Polo SA me convidou e, na hora, aceitei. Na época, eu não ganhava muito, mas era legal.” Em 2013, Gustavo defenderá o São José Audi pelo Polo Alto, o equivalente à Série A, se compararmos com futebol.

A primeira convocação para a seleção brasileira veio em 2011 durante a disputa do Campeonato Mundial, na Argentina. “Infelizmente, não conseguimos ganhar dos argentinos na final do campeonato. Mas jogamos de igual para igual em um jogo fantástico”, afirmou o atleta francano. Outro duelo importante em sua carreira foi um amistoso festivo entre Corinthians e Boca Juniors, realizado no ano passado.

“Foi muito legal. O Batistuta (ex-jogador da seleção argentina de futebol) estava jogando pelos caras e jogando muito bem! No final, o Rosemberg (Luis Paulo Rosemberg, vice-presidente) estava chorando e vibrando muito. Ele olhou pra mim e disse: ‘Você tem a alma do Corinthians’”, contou Gustavo, que não é corintiano.

GG prefere não revelar quanto ganha. “É bem mais do que eu ganharia se estivesse advogando.”

O JOGO
O polo é jogado mundialmente na grama. Duas equipes com 4 atletas cada se enfrentam em um campo de 275 m x180 m. Uma partida leva, em média, duas horas, sendo dividida em seis tempos de sete minutos cada. Cada jogador usa até dois cavalos por tempo. O objetivo é o mesmo do futebol: colocar a bola no gol. No polo, o gol mede cerca de 7 metros de largura e não tem limite de altura.

O polo na neve tem algumas diferenças: as ferraduras dos cavalos são mais grossas, a bola é maior e vermelha, o campo é menor e um time usa apenas três atletas.

“Vamos de atacante, meio, zagueiro e ‘pau na branca’”, brincou GG, que atua como atacante.

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