Mordomias em Brasília


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Brasília parece não sentir muito a quase estagnação da economia brasileira, com o PIB (Produto Interno Bruto) de 2012 beirando a casa de 1%. Pelo menos é o que parece acontecer lá pelos lados do Congresso Nacional. Sem muita cerimônia, a Câmara dos Deputados começou a reformar os 432 apartamentos funcionais destinados aos nobres parlamentaristas. E o custo dessa ‘brincadeira’ vai deixar muita gente com raiva, pois de acordo com estimativas da Câmara a reforma deverá custar R$ 280 milhões.

Para quem precisa trabalhar duro para comprar pequenos imóveis a preços exorbitantes, ou mesmo ralar pesado durante o mês para arcar com os altos valores de aluguel que perpassam o mercado imobiliário brasileiro, essa reforma realmente se parece mais com uma brincadeira de mau gosto, uma verdadeira afronta à dignidade do cidadão brasileiro, sobretudo quando se fica sabendo que apenas em reforma de banheiras de hidromassagem a Câmara estará gastando quase R$ 1,5 milhão.

Considerando-se o pouquíssimo tempo que nossos deputados permanecem em Brasília, chegando geralmente no final de segunda-feira e partindo logo depois do expediente da quinta, como se a semana na capital federal fosse mais curta do que aquela enfrentada por todos os outros trabalhadores brasileiros, fica difícil entender porque eles precisariam de um apartamento funcional a um custo tão alto. Se quase não ficam em Brasília, poderiam muito bem se hospedar em um hotel, uma opção que ficaria muito mais barata para o país.

De forma geral, não dá para compreender porque em pleno século XXI o país continua concedendo tanta mordomia à classe política, como se ainda estivéssemos em plena época da corte ou do império, tempos em que as benesses obviamente não obedeciam a critérios democráticos, mas apenas aos interesses do rei e de outros poderosos.

Além disso, se considerarmos o histórico de apropriação de dinheiro público, de apadrinhamento, desvios e falcatruas perpetrados pelos políticos brasileiros ao longo da história, fica difícil compreender porque ainda aceitamos tão passivamente esses abusos que continuam sendo cometidos sem a menor preocupação por parte desses senhores.

Para se ter uma idéia da desfaçatez, o deputado Valdemar Costa Neto, condenado no processo do mensalão e mencionado em quase todos os escândalos recentes ocorridos nesse país, já mora em um desses apartamentos recém reformados. José Genoíno, outro condenado pelo mensalão, mas recém-empossado na Câmara dos Deputados, também não perdeu tempo e já pediu seu auxílio moradia, talvez de olho na banheira de hidromassagem nova que servirá para revigorar-lhe a vergonha.

Uma situação como essa é realmente vexatória. Pode até ser legal, mas com certeza não é justa nem ética. Deveria, portanto, ensejar alguma reação por parte da sociedade e da classe política ainda não corrompida.

Quem quiser banheira de hidromassagem que a tenha em sua casa.

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