Necrim, da Polícia Civil, concilia 93% dos acidentes com vítimas


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Nilton Silva e Rafael Ribeiro, através da conversa, conseguiram entrar num acordo indenizatório de um acidente entre carro e moto, acontecido em setembro do ano passado. Decisão foi homologada pela polícia, sem ação judicial
Nilton Silva e Rafael Ribeiro, através da conversa, conseguiram entrar num acordo indenizatório de um acidente entre carro e moto, acontecido em setembro do ano passado. Decisão foi homologada pela polícia, sem ação judicial

A conciliação tem sido bem vista pelos envolvidos em acidentes com vítimas e ajudou a resolver 93% das audiências realizadas no Necrim (Núcleo Especial Criminal), da Polícia Civil, em todo o ano passado. Das 474 audições realizadas no órgão em 2012, em 442 as partes acidentadas chegaram a um acordo criminal com efeito cível - que pode ser financeiro - e sacramentaram as discussões, impedindo que dois processos novos - para ressarcimento de danos e pelos ferimentos sofridos - cheguem ao Fórum de Franca.

Em 2012, a instituição recebeu 2.081 boletins de ocorrências, com vítimas leves e graves, que tiveram suas atividades corriqueiras interrompidas e grandes danos em seus veículos. Segundo o delegado titular do Necrim, Cloves Rodrigues da Costa, apesar de muitas vezes o diálogo ser difícil, o número final agrada. “É um resultado extremamente positivo, que justifica a existência do Necrim de Franca, que vem se destacando entre as outras cidades do Estado, obtendo o maior índice de acordo entre as partes envolvidas”, comemorou o delegado.

Na manhã de ontem, mais casos foram solucionados na sala de audiência. O sapateiro Rafael Guilherme Leal Ribeiro, 21, morador no Jardim Paulistano I, esqueceu a bronca pelo acidente que sofreu de moto, em setembro do ano passado, e aceitou o acordo. Ele teve a frente cortada pelo Gol chumbo do prenseiro Nilton César Silva, 25, morador na Vila Santa Terezinha, quando ia trabalhar.

“Eu também estava chegando no trabalho e quando fui fazer o contorno para entrar na rua da empresa, às 7 horas, não consegui enxergá-lo”, disse Nilton, que teve a visão encoberta pelo sol. Rafael sofreu fratura no braço, além de escoriações pelo corpo e os danos na moto. Para sacramentar o caso, aceitou receber oito parcelas mensais de R$ 100. “Feliz eu não estou, mas foi um acordo bom. Dá para ajudar”, contou o sapateiro.

Apesar dos esforços da polícia, 32 audiências terminaram sem discussões no ano passado. “Há casos em que as pessoas não conseguem se entender e preferem que o caso seja ajuizado”, disse Costa.

HISTÓRICO
O Necrim é um órgão criado pela Polícia Civil, no dia 6 de maio de 2011, para intermediar um acordo em caso de crimes de menor potencial ofensivo (com pena prevista de até dois anos), como os acidentes de trânsito com vítimas. O objetivo é fazer um acordo e remeter para a Justiça apenas homologar. Porém, nem sempre o acordo é alcançado.

O projeto foi idealizado por Cloves Rodrigues. Com a consultoria dele, o núcleo foi implantado há um ano em várias cidades da região de Bauru. Existem 17 órgãos em funcionamento no Estado.

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