As operações de crédito não param de crescer em Franca. Esse cenário é comprovado pelos números divulgados esta semana pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e pelo Banco Central do Brasil. Em dez anos, as transações de crédito quase triplicaram na cidade. Foram R$ 652,8 milhões movimentados em 2001, enquanto que em 2011, o último ano com dado consolidado, o montante subiu para R$ 1,8 bilhão, representando um aumento de 177,5%.
O acréscimo de 2010 para 2011 também foi considerável - 24,4%. Os dados se referem a empréstimos efetuados ao setor público e privado pelos bancos comerciais, múltiplos e caixas econômicas. Os valores monetários foram atualizados pelo Índice Geral de Preços, da Fundação Getúlio Vargas.
O economista Luís Carlos dos Santos explica que a popularização das operações de crédito se deve à facilidade de conseguir empréstimos. “Antigamente, era muito mais difícil conseguir crédito. Hoje, as instituições bancárias disponibilizam capital com muitas descomplicações, como uma grande quantidade de parcelas para pagar o empréstimo”, aponta. “Além disso, o poder aquisitivo da população aumentou, o que permite a realização de mais financiamentos. Desde que a pessoa não tenha nenhuma restrição, como dívidas, ela vai conseguir o empréstimo nos bancos”, completa.
No entanto, Santos chama a atenção para o fato de a inadimplência ter aumentado na mesma proporção que a obtenção de crédito. “O processo em si está facilitado, mas os bancos atualmente estão mais rigorosos com a ficha de análise.”
A consequência da inadimplência maior é o aumento nas taxas de juros. “As perdas do banco são embutidas nos juros, que são muito altos. A pessoa que paga corretamente as parcelas é prejudicada com esse sistema, porque paga um juro alto em razão da pessoa que não honra seu compromisso.”
O economista estima que os juros atuais das instituições privadas girem em torno de 8% a 10% ao mês, o que, para ele, é “exorbitante”. Para que as pessoas não se endividem, Santos aconselha que optem por parcelas que não ultrapassem 30% do orçamento.
SETOR PÚBLICO
Segundo a secretária de Finanças, Neide Lopes, a Prefeitura não realiza nem tem que pagar nenhum empréstimo. “Os planos da Prefeitura são manter o equilíbrio financeiro e não precisar providenciar financiamentos ou empréstimos”, afirma.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.