Palmeirinha, Franca, anos 50


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Campo do Palmeirinha, Franca, anos 50, poucas mulheres nas arquibancadas e muitos homens alguns de terno e chapéu para assistir ao cotejo. Talvez fosse domingo. O time da casa - Palmeiras, fantástico. Da esquerda para a direita, em pé,: Marreta, Ferrante, Zezão, Paulo, Joacir, Nicolim; agachados: Otávio, Cabelo, Mariucho, Pacu e Nenzinho. Foto, Jair.

Foi dos últimos jogos que Nicolim, jogou profissionalmente. Ele era barbeiro, seguindo a tradição familiar seu pai e outro irmão também eram. Sua mulher percebeu que o mundo sofria mudanças, a vida e filhos exigiriam deles, mais tarde, algo mais do que poderiam oferecer, além do exemplo de trabalho, senso de dever, respeito ao próximo e retidão de caráter. O salão logo ficaria pequeno para três profissionais do mesmo ramo, com famílias. Era divertido trabalhar ali a barbearia ficava na praça principal, era bem freqüentada, ponto de encontro dos cidadãos muito ilustres e os nem tanto assim. Ela bateu o pé: um deles teria que estudar. Se ele assumisse os estudos, ela garantiria o sustento familiar através de seus dotes culinários e artesanais. Ou, então, ela iria para a escola e ele ficaria com as crianças, quando ela se ausentasse. Ele foi para a escola noturna completar o ginásio e ela, de casa em casa, com duas filhas que mal andavam e o terceiro filho na barriga: oferecia bolos, balas, doces, caminhos de mesa, panos de prato, vestidos infantis, toalhas bordadas. Ele se formou contador, virou bancário. O esporte perdeu um craque, os filhos estudaram, a família permaneceu unida. Ele faleceu aos 51 anos; ela continuou com os bolos e doces. Ficou viúva e sozinha até morrer, com 83.

(Lúcia H. M. Brigagão)

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