Vagas e internações


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Nem parece verdade, mas depois de tanto transtorno, polêmicas e ameaças parece que finalmente a cidade deu um passo importante para resolver o problema das internações na Santa Casa de Franca. A partir desse mês, a regulação das vagas não estará mais nas mãos do governo do Estado, um fato que já se arrastava por mais de cinco anos e fazia com que a vida de muita gente ficasse a mercê de pessoas que estavam a 400 km de distância daqui.

A partir de agora, o Samu de Franca ficará responsável por regular as internações dos pacientes de Franca e de outras nove cidades da região na Santa Casa. A idéia é que esse novo sistema dê mais agilidade às internações, reduza o número de reclamações e discipline a remoção de pacientes dos municípios vizinhos para o hospital, evitando que pessoas sem necessidade de internação venham a tirar leitos de outros que precisam, uma prática que segundo a Prefeitura de Franca vem sendo recorrente nos últimos anos.

A despeito dos problemas de ordem financeira que ainda continuarão fustigando a Santa Casa e todo o sistema público de saúde, não se pode negar que essa é uma grande conquista para a população que se utiliza desses serviços. Se pelo modelo antigo uma pessoa em estado grave no Pronto Socorro de qualquer uma dessas cidades precisava esperar por uma autorização que saia de Franca, viajava até São Paulo e depois voltava para a Santa Casa, algumas vezes trazendo na ‘bagagem’ uma negativa, agora pelo modelo novo essa triagem será feita pelos médicos do próprio Samu, que juntamente com os médicos do hospital decidirão quem deverá ou não seguir para internação.

Não há dúvidas de que esse novo fluxo organizacional irá agilizar o sistema e, por consequência, ajudará a reduzir a angústira de quem precisa de atendimento.

De qualquer forma, é aconselhável não comemorar essa mudança com muito entusiasmo. Em se tratando de saúde pública brasileira, é melhor esperar para ver os resultados que surgirão na prática cotidiana desse novo sistema, até porque o número de leitos não irá aumentar de uma hora para outra. Além disso, os problemas financeiros da Santa Casa ainda não foram equacionados, o que poderá levar a novas paralisações dos serviços prestados, como vem acontecendo regularmente nesses últimos dois anos, a despeito de existirem vagas, Samu, médicos e até mesmo boas intenções. Mas, depender da saúde pública é sempre um desafio, em que pese um ou outro registro positivo.

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