O mundo como escritório; conheça a rotina de um comissário de bordo


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Francano que mora no Canadá conta para o Se Liga como é a vida de um comissário de bordo que trabalha o dia todo em um avião e ‘dorme’ cada dia em um país diferente
Francano que mora no Canadá conta para o Se Liga como é a vida de um comissário de bordo que trabalha o dia todo em um avião e ‘dorme’ cada dia em um país diferente

Para você, como seria o emprego ideal? E não vale sonhar dizendo que trabalho bom seria receber muito dinheiro sem fazer nada. Queremos que você feche os olhos, relaxe o quanto for possível e comece a pensar como seria um trabalho extremamente gratificante. Podemos começar excluindo o grande matador de sonhos e sugador de energia que também atende pelo nome de rotina. Seria bom adicionar uma pequena dose de adrenalina para garantir um pouco de emoção durante o expediente. O escritório precisa ser o mesmo ambiente, pois o nosso habitat precisa nos dizer que estamos trabalhando e não podemos cometer certos exageros. O mesmo vale para o uniforme. E quanto ao happy hour? Que tal se nós tivéssemos a chance de curtirmos o tempo de folga em um canto diferente do mundo sempre? Adicione um bom salário e... pronto! Montamos uma das profissões mais agradáveis que podem existir dentro desse mundo louco e também descrevemos como é a vida dos comissários de bordo. Em meio às opções mais comuns de profissões que estão no mercado, viver viajando pelo mundo e ganhar para isso acaba se destacando como uma escolha mais “libertária” que contrasta com a visão do engravatado e rato de escritório. Mas para descobrir como realmente funciona essa profissão nós precisamos conversar com alguém “de dentro”, que vive com essa aura errante que ronda a profissão de comissário.

Nosso personagem é o francano André Luiz Silva, conhecido como André Bekare, 26, comissário de bordo há cerca de cinco anos na empresa Air Transat/Canset. Atualmente ele reside em Toronto, no Canada, e é de lá que sai seu escritório alado. “Sai de Franca assim que completei 18 anos para fazer intercambio e aprender inglês. Após essa fase, voltei ao Brasil para terminar minha faculdade em Ciências Biológicas, me formei em 2006 e voltei para o Canada novamente em 2007, onde com o tempo mudei meus planos e resolvi seguir com o sonho de ser comissário”, conta André, que está em Franca agora, mas em breve voltará ao trabalho. “Visito Franca mais frequentemente hoje em dia. Aproveito para matar a saudade da minha família e de bons amigos que tenho por aqui.”

20 PAÍSES VISITADOS
Durante sua carreira André afirma que já pisou em mais de 20 países e fez questão de destacar quais ele recomenda. “Meu lugar favorito é Paris. Para diversão, praia e natureza nada melhor do que Cancún, no México. Para mim se tornou uma necessidade ir até lá com frequência. As praias são maravilhosas, as baladas mais ainda.” E será que existem lugares que ele não gostou? “Não existe um lugar que eu considere pior. Talvez tenha alguma coisa que você não goste, assim como Cuba, onde as praias são maravilhosas, mas as pessoas muito pobres”, cita André.
O salário de um comissário de bordo também não é de se jogar fora. Segundo André, em média, um profissional da área ganha entre US$ 2 mil e US$ 3 mil. Só que não é fácil entrar no ramo, pelo menos aqui no país do samba. “No Brasil a pessoa precisa ser homologada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Para isso é preciso a realização do curso de comissário de bordo, que pode ser feito em qualquer instituição ou aeroclube autorizado e obter a licença após a conclusão dos conteúdos exigidos”, conta André.

VIVENDO NO CÉU
Agora que você já conhece um pouco mais do André, que tal irmos direto para seus relatos sobre sua profissão? “A profissão te dá o prazer de viajar e de estar em lugares diferentes todos os dias”, explica. Só que nós já vivemos tempo suficiente para saber que nada nessa vida é plenamente perfeito. “O lado ruim é que isso te tira a oportunidade de participar de momentos importantes com sua família e amigos, por exemplo.” André diz que diferente do que todo mundo pensa, ser comissário de bordo não é o mesmo que ser “garçom de avião”.
Para melhorar a sua compreensão, pedimos para ele elencar qual o principal ponto positivo de sua profissão. “O mais legal é a não existência da rotina. Cada dia você trabalha em um horário. Cada dia você está em um lugar diferente.” E a pior coisa? “O mais chato talvez seja ficar muito sozinho. No começo você sempre acha animo para sair, conhecer os lugares que está visitando. Mas, com o tempo, isso se torna cansativo e a única coisa que você pensa é em chegar logo no hotel para poder descansar.”

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