Alunos da Unesp de Franca viajam no Projeto Rondon nesta sexta


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Alunos da Unifran fazem atividade com crianças na cidade de Rio Preto da Eva (AM) em julho de 2011
Alunos da Unifran fazem atividade com crianças na cidade de Rio Preto da Eva (AM) em julho de 2011

Oito alunos e uma professora da Unesp de Franca -além de um docente do campus de Bauru - estão se preparando para ter uma experiência única. Eles foram alguns dos escolhidos no País para integrar a edição deste mês do Projeto Rondon, uma iniciativa federal coordenada pelo Ministério da Defesa que leva estudantes e professores universitários para comunidades carentes. O objetivo é promover o desenvolvimento sustentável e ampliar o bem-estar das populações das áreas.

Na próxima sexta-feira, o grupo de Franca viaja para Capim Grosso (BA), cidade de 26.259 habitantes, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), localizada a 272 km de Salvador. A volta está programada para o dia 3 de fevereiro, ou seja, 15 dias depois.

De acordo com as regras do projeto, os alunos precisam viajar com dois coordenadores. Um é o professor Dinael Côrrea de Campos, do campus de Bauru, e a outra é Rita de Cássia Biason, que dá aulas no campus de Franca. Coordenadora de grupos de discussão política na universidade, a docente afirma que uma nova experiência é o que a motivou a se inscrever no programa governamental. “O Rondon traz uma visão distinta daquela que a gente tem do Brasil. Você vai para municípios muito pobres, carentes de recursos humanos e financeiros. Para mim, era um desafio porque eu lido com corrupção, um objeto que fica no âmbito federal e um pouco elitista. Quero conhecer como é o funcionamento dos pequenos municípios fora do eixo Sul-Sudeste”, diz ela.

A elaboração do plano de trabalho, uma das exigências para se candidatar ao Projeto Rondon, foi finalizada em outubro do ano passado e, no mesmo mês, a Unesp de Franca foi selecionada. Biason conta que o governo enviou uma lista de cidades para que fossem escolhidas três. O primeiro município não aceitou as propostas da professora, mas, o segundo, Capim Grosso, sim.

No entanto, Rita teve que reformular o projeto inicial quando, numa outra etapa do projeto, visitou o município de Capim Grosso, em novembro do ano passado. “Nessa viagem precursora, você traça todas as intervenções que vai fazer. Eu tinha um olhar do que era o Estado de São Paulo. Chegando lá, a surpresa é que as coisas eram muito básicas. Os funcionários públicos precisam de cursos de informática, porque eles não sabem mexer em Power Point; os professores não têm formação para identificar déficit de aprendizagem nos seus alunos e os conselhos municipais não são atuantes: pais tiram seus filhos das escolas, e eles não intervêm.”

ALUNOS
Os alunos que farão parte da operação foram selecionados em novembro por meio de entrevista. Dos oito graduandos, seis cursam relações internacionais, um faz serviço social e o outro, história. Um deles é Vitor Lopes Andrade, quartanista de relações internacionais e natural de Lins (SP). Interessado, ele participou desde a etapa inicial do plano.

“O Projeto Rondon não é assistencialista. Ele foca na capacitação das pessoas, e isso é importante para nós, universitários, porque normalmente o curso é muito teórico. O Rondon vai possibilitar colocar [o que aprendemos] na prática”, disse. Vitor acrescenta que a possibilidade de conhecer uma nova realidade, possivelmente bem diferente da vivida no Estado de São Paulo, é um outro motivo para integrar o Projeto.

O estudante ficará responsável pelas ações de cultura e educação e, já está se preparando, pesquisando temas a serem ministrados nas oficinas e lendo livros. “Esperamos, de alguma forma, melhorar um pouco alguns dos aspectos do município, sempre pensando na capacitação. Desse modo, as pessoas da cidade poderão continuar as nossas ações.”

Entre as atividades a serem desenvolvidas pelo grupo estão a distribuição de folhetos informativos sobre assuntos como violência doméstica, trabalho e prostituição infantis e prevenção ao câncer de mama e de útero; realização de palestras, oficinas e workshops apresentando temas como motivação pessoal, informática, gestão de projetos, técnicas de teatro e a importância dos Conselhos Municipais. As ações culminam no Show de Talentos, quando a própria comunidade apresenta as suas manifestações culturais como forma de valorizar a sua própria identidade.

“Não vou fazer milagre em quinze dias. Para dar resultado, precisamos ficar seis meses. [O conjunto de ações] pode ser até paliativo, mas pelo menos você abre uma discussão sobre essas questões e promove intervenções em problemas mais agudos”, diz a professora Rita.

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