A hora e a vez das ‘las tapas’


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O Brasil tem hoje bons representantes dessa comida espanhola no Rio e em SP
O Brasil tem hoje bons representantes dessa comida espanhola no Rio e em SP

Já há algum tempo, podemos experimentar no Brasil as famosas tapas que tanto nos falam da Espanha, país dono de um repertório gastronômico tão grande que até poderia ter dispensado esse pequeno discurso, ainda bem não o fez. A Espanha, que hoje é detentora de uma culinária que ocupa prestigioso destaque, quiçá de principal culinária do mundo, ou pelo menos a mais moderna, ou mais inventiva, não desprezou as tapas, que na sua simplicidade continuam a conquistar o coração dos práticos e botequeiros, afinal “las tapas se come con las manos”.

Mas afinal, o que são as tapas? A Real Academia da Língua Espanhola define as tapas como “qualquer porção de alimento capaz de acompanhar uma bebida”.

Aliás, não podemos tratar de tapas sem tratar antes da bebida. Diz-se que se originaram na Idade Média do costume de se colocar em cima da boca da taça ou copo, ora um pedaço de pão, ora um pedaço de presunto ou morcela, a fim de se proteger a bebida, normalmente o xerez (vinho espanhol) contra os indesejáveis mosquitos. Por isso, serem chamadas de tampas. Um pouco mais tarde eram servidas como cortesia aos incautos que saíam para beber de estômago vazio: prejuízo para o dono do bar, que logo perdia seu cliente para a bebedeira - melhor mantê-lo firme e forte para mais uma dose. Tanto que, ainda hoje, encontramos bares espanhóis que não cobram pelas tapas.

As tapas consistiam apenas em azeitonas simples ou recheadas, fatias de morcela (linguiça de sangue e gordura de porco), presunto, queijos e legumes marinados e tortillas (omeletes com batatas e cebolas).

Mais tarde, foram incorporados outros deliciosos embutidos, queijos, frutos do mar e os pescados. Depois, vieram os tomates, ovos, pimentões e cogumelos recheados, os molhos e as criativas finalizações. Ou seja, hoje não dá para se fazer cortesia com o nível de sofisticação dos produtos utilizados nas tapas.

Pois bem, já é hora de nos sentarmos à mesa ou no balcão...

O Brasil tem hoje bons representantes das tapas espanholas. O Venga!, com duas unidades no Rio e uma em São Paulo, na Vila Madalena, é um bar bem badalado, bonito e bem montado. A comida, na minha opinião, não está à altura do preço. Mas é possível experimentar croquetes, pão com tomate, aspargos grelhados, perrito caliente (cachorro quente), a linguiça enrolada no pão de mica, dentre outros. A apresentação das porções é cuidadosa: eles usam latinhas de produtos originais da Espanha, o que dá um charme especial.

Pra quem quiser tapear em alto estilo, temos dois restaurantes excelentes: Clos de Tapas é o primeiro deles, com apresentações refinadíssimas e pratos elaboradíssimos, tem conquistado corações e mentes dos críticos mais exigentes, também pela pegada tecnoemocional. Eu não o conheço, apenas pela internet, e por vezes fico admirando a beleza dos pratos, coisa linda mesmo.

O segundo é o Arola-Vintretes, do chef Sergi Arola, que inclusive ostenta duas estrelas no guia Michelin. Também não o conheço, mas a comida está lá eleita como a melhor comida espanhola do Brasil, segundo o Guia 4 Rodas.

E enfim, para os normais comensais, o normal Sancho Bar y Tapas, fica na indefectível rua Augusta, ao lado do cinema. Dá pra fazer os dois programas sem gastar uma fortuna. Os bonitos garçons espanhóis dão um toque inquestionável de originalidade e podem te servir cervejas do mundo inteiro. Recomendo a refrescante espanhola Estrella Galicia e a deliciosa belga Affligem. Quanto aos tapas, estão por lá espalhados pelo balcão ao preço de 3 a 8 reais, e se você não exigir muito, sairá bem feliz de lá.

Clos de Tapas: rua Domingos Fernandes, 548;
Sancho Bar y Tapas: rua Augusta, 1.415;
Venga!: rua Delfina, 196;
Arola Vintretes: alameda Santos, 1.437


DICA DA SEMANA

Vamos falar hoje de uma receita de “frango da bisavó” vinda da caixa de segredos da culinarista Nina Horta.

Falar em frango caipira por aqui, na nossa região, parece até piada. Porque certamente todas as avós e bisavós e mães têm ótimas receitas com a ave e não precisam mais de nenhuma dica.

Mas, vamos supor que alguma moça casadoira ou solteiras mesmo queiram fazer um belo frango caipira, aí vai uma maneira boa que deixa o caldo mais suculento.

Primeiro corte o frango nas juntas, caso não saiba fazer isso peça ao açougueiro. Lave-o muito bem e depois retire todas as gordurinhas.

Pegue todas as gorduras e ponha para fritar com 3 colheres de óleo. Depois de frito coloque os pedaços de frango para fritar nesse óleo, com a pele para baixo, exceto os pés e os miúdos.

Deixe fritar sem endurecer a superfície, apenas para corar. Só então adicione sal, alho amassado e pimenta moída na hora. Adicione 1 xícara (café) de água e deixe secar e vá fazendo isso por umas quatro vezes mais, para criar aquela crosta marrom no fundo da panela que engrossará o caldo. Só então junte os pés previamente quebrados.

Como tudo na vida, a prática é que permitirá a você fazer o mais gostoso dos frangos.

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