À beira do cataclismo


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Estamos à beira de desastre no abastecimento de energia elétrica, negada pelo governo o tempo todo. Até parece com previsões econômicas. Ninguém acredita, e erram sempre... contra o governo. Curiosamente, cataclismo significa (também) inundação, o que no caso brasileiro seria a salvação já que somos dependentes de energia hidrelétrica. E é o que acreditam os “técnicos” do partido (ops!) do governo.

Porém, esse é o ponto principal, não a chuva, que é esperada em abundância, mas aonde ela vai cair, algo que os governistas estão ignorando, como se São Pedro trabalhasse para o governo e vestisse a camiseta partidária. Aliás, se São Pedro quiser, doo as minhas que ainda não joguei fora com medo de contaminar o ambiente...

Apesar de deixar o partido, não deixei de ser brasileiro e passei os últimos dez anos enviando cartas ao governo federal e a seus ministérios com alertas e sugestões. Sempre pesquiso o que estudam nossos cientistas e, ideias e alertas de interesse nacional envio aos políticos na esperança de que “comprem” e convenção os dirigentes.

Vendo as desculpas das razões de não utilizaram termelétricas para poupar as hidrelétricas, voltou-me a lembrança de que no Estado de São Paulo tem potencial para fazer de 400 usinas de álcool gerarem eletricidade usando o bagaço de cana, lixo agrícola terrível.

Estima-se esse desperdício de energia em 12 mil MW no mínimo, o que equivale a nove usinas nucleares do tipo Angra 2. E o melhor de tudo, a possibilidade de geração de energia ocorre no período da seca, justamente quando necessitamos poupar as hidrelétricas. Depois, se chover nas cabeceiras, paciência, bagaço não vem do petróleo.

De qualquer modo, as novas usinas hidrelétricas, como Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, e Belo Monte, não têm reservatório por causa dos impactos ambientais. Ou seja, na período da seca, precisamos de alternativas. Obviamente, as eólicas também são boas opções, principalmente porque venta mais na seca. Porém, a cogeração de bagaço parece ser indispensável.

E por falar em produção de álcool, grande vergonha desse governo, deveriam obrigar o investimento estrangeiro em novas fronteiras e impedir a desnacionalização do que existe. E até agora não fizeram um incentivo para irrigar os canaviais, investimento que dobra a produtividade do canavial. E a tecnologia de gotejamento, o governo espera o que para incentivar, a crise da água? Corram porque ela já está aí!

A capacidade de geração de energia elétrica aumentou muito nos últimos anos, igualmente a capacidade de distribuição, alega o governo. Porém, mais da metade das obras de transmissão estão atrasadas, ou seja, 238 linhas e subestações com problema. Se vivemos um risco de racionamento, os apagões já se fizeram presentes. E cada dia são mais frequentes e estão mais demorados, ao menos no sudeste, onde vivo. O calor tórrido deste verão aumenta o consumo por causa do ar-condicionado. E, afinal, o aumento da renda que se verifica desde os tempos do Itamar Franco cobra uma infraestrutura que os últimos governos não investiram.

Mario Eugenio Saturno
Tecnologista da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais

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