A pleno vapor


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Mesmo que com alguma precaução, a notícia divulgada por este Comércio no domingo, 06/01, deve ser comemorada pela cidade. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), oito em cada dez francanos com idade entre 25 e 44 anos estão empregados, uma relação que faz da cidade a terceira melhor do Estado em termos de empregabilidade, perdendo apenas de São José do Rio Preto e Ribeirão Preto.

Esses números, obviamente, mostram os resultados do crescimento consistente experimentado pela economia francana nos últimos anos. Para além do momento mais positivo vivenciado pela indústria calçadista, é possível observar também o surgimento de outros polos industriais, como o de lingerie, por exemplo, que vem se destacando nesse mesmo período.

Paralelamente, os setores comercial e de serviços também foram muito importantes para que a cidade alcançasse esses resultados. A chegada de grandes varejistas e atacadistas aos poucos acabou contribuindo para a diversificação desses setores, impulsionando os negócios em todas as áreas da economia, inclusive naquelas que se especializaram na gastronomia, no lazer e no entretenimento dos francanos.

Nesse sentido, a comemoração é realmente válida. A cidade transformou-se em um centro regional de serviços, atraindo cada vez mais os moradores das cidades vizinhas e também do sul de Minas Gerais. A noite tornou-se mais prazerosa, com excelentes e diversificadas opções em termos de bares e restaurantes. Nessa mesma esteira de transformação, também a educação e a saúde ganharam contornos mais consistentes, com oferta de cursos diversificados e de aparelhos com tecnologia mais sofisticada, respectivamente.

A comemoração, no entanto, deve ser comedida. A despeito de todas essas conquistas e do bom momento que ainda respira a economia brasileira, não podemos perder de vista que o PIB francano não acompanhou esse crescimento é continua sendo muito baixo se comparado ao de outras cidades de mesmo porte. Da mesma forma, a remuneração do trabalhador francano continua sendo também uma das mais baixas do Estado, em função da pouca escolaridade exigida para se trabalhar tanto nas indústrias do setor coureiro-calçadista como nas de confecções que começam a emergir, o que acaba influenciando todo o resto da economia local e regional.

Dentro desse contexto, é importante que toda a sociedade francana, bem como suas lideranças políticas e empresariais se conscientizem da necessidade de se modernizar o parque fabril da cidade e da importância de se investir em tecnologia e em inovação, o que consequentemente obrigaria os francanos a buscarem uma melhor qualificação em termos de conhecimentos e escolaridade.

Do jeito que as coisas estão, a cidade corre o risco de ver esses números piorarem tão logo nos chegue uma pequena ‘marola’ da crise mundial que, apesar de controlada, continua a espreita de países e economias mais descuidadas.

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