As exportações de calçados de Franca foram mal em 2012. Dados apresentados pela Abicalçados (Associação Brasileira da Indústria de Calçados) mostram que no ano passado o polo calçadista local apresentou queda tanto no número de pares exportados como no valor total de vendas em relação a 2011. No comparativo entre um ano e outro, a redução nos dois casos chegou a 10%.
Segundo o relatório do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), com base nos dados da Abicalçados, em 2011 as empresas da cidade exportaram juntas 3,02 milhões de pares. Ao longo dos 12 últimos meses, o número de pares vendidos caiu para 2,7 milhões. Uma perda de 10,19% ou de 308.083 pares de calçados que deixaram de serem enviados para o estrangeiro.
Em negócios, a queda foi ainda maior e atingiu os 10,63%. Em 2011 o volume de vendas acumuladas era de US$ 93,6 milhões e diminui para US$ 83,6 milhões no ano, uma redução equivalente a R$ 20 milhões.
Segundo o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, as exportações de calçados da cidade estão em queda desde 1993, e 2012 foi o ano em que elas alcançaram o menor patamar. Há 20 anos, de acordo com Brigagão, eram exportados 15 milhões de pares. “As exportações de calçados de Franca seguem numa queda constante em razão da concorrência desleal e da desvantagem cambial.”
O sindicalista também culpa as altas cargas tributárias existentes e a falta de apoio do governo. “Os calçadistas cansaram de tomar prejuízos. Para exportar é preciso ter lucro, resultado.”
De acordo com levantamento da Abicalçados, não foi só o polo calçadista francano que sofreu queda nas exportações no ano passado. Os gaúchos tiveram perda de 33,2% nos negócios e os cearenses de 9,1%.
O diretor executivo da Abicalçados, Heitor Klein, via assessoria de imprensa, reafirmou a fala de Brigagão e disse que o resultado negativo é proveniente da retração dos principais mercados compradores ao longo do ano e das questões macroeconômicas que afetaram a indústria brasileira exportadora. “O câmbio pouco competitivo foi um fator importante para o registro desse desempenho negativo, assim como as barreiras impostas pela Argentina.”
Para 2013 as expectativas também não são as melhores e seguem em baixa, assim como as exportações. O presidente do Sindifranca acredita que elas não irão deslanchar se não houver mudanças. “Queremos trabalhar, exportar, mas se nada for feito, o foco continuará sendo o mercado interno. Ele que está garantindo os calçadistas.”
De olho em novas vendas, começa na segunda-feira, dia 14, em São Paulo a 40ª Couromoda (Feira Internacional de Calçados, Artefatos de Couro e Acessórios de Moda) com a participação de 115 empresas de Franca. Segundo Brigagão, a feira será um termômetro sobre o futuro do polo calçadista francano.
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