Matéria publicada por este Comércio na edição de sexta-feira, 04/01, mostrou que 2012 se despediu deixando para trás um recorde na venda de veículos. Segundo a reportagem, o balanço divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou que foram comercializadas 3.801.859 unidades no acumulado do ano passado, o que representou um aumento de 4,65% em comparação a 2011. Mas, se considerarmos apenas os carros e comerciais leves, vamos perceber que esse aumento foi ainda maior, chegando a 6,11%, um sinal de que a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializado) funcionou realmente como um aquecedor das vendas de automóveis.
O número é para se comemorar, claro. Significa economia aquecida e mais gente conseguindo comprar seu carro zero. Mas é impossível não relacionar esse cenário feliz com outro que paralelamente preocupa: o trânsito.
As consequências desse crescimento na frota, obviamente, serão rapidamente sentidas nesse trânsito já bastante caótico vivenciado por qualquer cidadão brasileiro que habite uma cidade de médio ou grande porte. Com ruas e avenidas que parecem cada vez mais estreitas em função do número de veículos que sobre elas se lançam, não será nenhuma surpresa se o número de acidentes e vítimas em 2013 crescer. Afinal, a despeito de dias, meses ou anos, os problemas e a violência no trânsito não tiram férias. Mal começamos 2013 e já é possível catalogar uma série de acidentes e vítimas que servirão para as estatísticas da próxima virada, um cenário que obviamente não é uma prerrogativa apenas de Franca, mas com certeza de todo o país
Mas essa é uma realidade que tem que ser enfrentada e sem discursos frágeis ou expectativas furadas. Com a economia em crescimento e com o crédito mais acessível, é natural que as pessoas queiram investir em seu próprio conforto ou sonho, e um carro zero está nesta lista, certamente. Convencer as pessoas a não comprarem seu primeiro carro ou a não trocarem os seus veículos já velhos por outros mais novos é tão impossível (impensável) quanto convencer esses mesmos motoristas a deixeram seu carro na garagem e usarem o transporte público em nome do bem comum. No mundo moderno, carro ou moto já deixaram há muito tempo de ser apenas veículos de transporte para se transformarem em ‘estilos de vida’. Nos tempos atuais, também signficam mais conforto, rapidez e segurança para quem precisa circular.
Por mais que todos saibam que automóveis e motos trazem muitos problemas para o trânsito e geram muita lentidão e estresse pelas ruas, dificilmente alguém em Franca ou no Brasil que tenha condições de adquirir um desses veículos vai abrir mão dessa comodidade para apertar-se em um transporte público de qualidade bastante discutível, andar a pé nesse calor escaldante ou arriscar-se com bicicletas.
Portanto, cabe às autoridades comemorar esse aquecimento da economia e a ascensão das classes de baixa renda, claro, mas sem perder de vista a necessidade de voltar os olhos para a melhoria contínua da malha viária, da sinalização, da fiscalização.
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