Com dívidas, Prefeitura de Itirapuã fecha as portas


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Foto de arquivo mostra funcionários da Prefeitura de Itirapuã durante manifestação contra atrasos no pagamento de salários em dezembro de 2012. Segundo novo prefeito, servidores ainda não receberam o salário de dezembro nem parte do 13º
Foto de arquivo mostra funcionários da Prefeitura de Itirapuã durante manifestação contra atrasos no pagamento de salários em dezembro de 2012. Segundo novo prefeito, servidores ainda não receberam o salário de dezembro nem parte do 13º

Quem precisou dos serviços da Prefeitura de Itirapuã neste início de ano se deparou com as portas fechadas. Sem recursos em caixa e com uma dívida acumulada estimada na casa do R$ 1,4 milhão, o prefeito Rui Gonçalves (PP) decidiu suspender o expediente no Paço Municipal.

Segundo ele, a situação do município é caótica. “Os estoques de remédio, combustível, material de limpeza e material de escritório estão praticamente zerados. Os funcionários ainda não receberam o salário de dezembro nem parte do 13º [salário]”, disse.

Até valores que foram depositados pelo governo estadual para convênios, como o de transporte escolar, também não estariam nas contas municipais. “No caso do transporte, são aproximadamente R$ 80 mil. Ainda tem a cobertura de uma quadra, que foram mais de R$ 60 mil”, disse o diretor administrativo, José do Coração.

O prefeito disse que as contas da Prefeitura estão zeradas. “Ainda não sabemos se iremos reabrir as portas na semana que vem. Estamos discutindo com os vereadores o melhor caminho a seguir.”

Rui Gonçalves disse que não esperava encontrar a Prefeitura com tantos problemas. “Eu confesso que me assustei. Não esperava essa situação. É muito difícil a gente querer trabalhar e ver que não tem jeito.”

O diretor administrativo disse que estuda a possibilidade de contratar uma auditoria para levantar todos os problemas encontrados. “A cada dia aparece mais coisas. Para podermos resolver tudo, temos que nos planejar. Neste sentido, uma auditoria ajudaria. Mas ainda não decidimos.”

Por enquanto, o que o município já fez foi decretar a suspensão dos pagamentos de dívidas contraídas até 31 de dezembro de 2012. “Nossa intenção é levantar o total de contas em aberto para então renegociar as dívidas”, disse.

Outro município da região que também está sofrendo por conta da falta de recursos e das dívidas acumuladas é São José da Bela Vista. A prefeita Célia Ferracioli (PTB) disse que ainda não terminou o levantamento dos problemas encontrados. “O que posso dizer é que são muitas dívidas em diversas áreas. Estamos com salários atrasados e problemas urgentes para serem resolvidos.” Um deles é o débito em aberto com as faculdades da região. “Temos um convênio para os estudantes da cidade. O problema é que ele não é pago desde julho do ano passado. Agora estamos enfrentando dificuldades para matriculá-los e o valor a ser pago é altíssimo.”

A prefeita espera a conclusão de um levantamento sobre a situação do município para definir se deve ou não decretar estado de emergência financeira. “Só na semana que vem devo ter todos os dados em mãos. Aí poderei decidir qual o melhor caminho a seguir.”

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