Uma tentativa de roubo próximo ao Parque Vicente Leporace, na madrugada de quarta-feira, deixou indignados os integrantes de uma cooperativa de taxistas francanos. Reginaldo Donizete Vital da Silva, 45, morador da Vila Rezende, fazia seu trabalho normalmente quando atendeu uma chamada para pegar um passageiro no City Petrópolis. “Quando cheguei perto do lugar pensei em desistir”, explicou o taxista, que passou por momentos de terror dentro do porta-malas de seu carro, um Corsa Classic.
O pedreiro Fabiano Gonçalves Miranda, 33, portando uma faca de cozinha, rendeu o taxista e, com uma fita adesiva, amarrou seus braços, mandando-o entrar no bagageiro. O bandido levou R$ 84 e seu celular e abandonou o carro próximo à ponte do Leporace. “Esperei alguns minutos até ter certeza de que o ladrão tinha ido embora depois forcei os bancos traseiros até abrir espaço e passar”. Segundo o taxista, a primeira reação que teve foi entrar em contato, pelo rádio, com a empresa onde trabalha passando a descrição do bandido. Logo, vários outros taxistas, solidários com a situação do colega, passaram a monitorar a região na procura dos suspeitos. Não demorou muito e logo o ladrão foi visto correndo em direção a um prédio abandonado “Nós cercamos as quatro saídas com uns quinze carros. A polícia veio depois com outras seis viaturas e prendeu o cara. Ele estava escondido no meio do barro e fingiu estar desmaiado.”
De acordo com Gerson Seara, presidente da cooperativa de taxistas Center Táxi, existe até o perfil de uma corrida de risco. “Normalmente acontecem à noite, com duas ou mais pessoas, e os pedidos não são feitos via central, mas direto na rua”. O caso de Reginaldo é uma exceção. “Fiquei muito impressionado quando li no jornal e soube que o assalto foi feito por apenas uma pessoa. Não é normal”. Ele diz que em seus 14 anos de profissão já passou por diversos assaltos. Em um deles chegou a ser internado. “Me bateram tanto que fui parar no hospital. Meu filho me disse que, se eu continuasse a trabalhar à noite, ele não viria mais me visitar. Daquele dia em diante, parei”.
O presidente da empresa diz que tem 28 veículos em sua frota e 56 motoristas cooperados. Destes, pelo menos um terço já passou por uma experiência com assaltos. “São pessoas desesperadas, normalmente viciados em drogas. Pegam os taxistas porque é fácil. Para nós, só resta rezar.”
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